Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Orgulho lésbico, uma trajetória de conquistas

Por Alessandra Guerra

Alessandra GuerraElas viviam silenciadas, o prazer era profano aos outros olhos, mas elas se amavam intensamente, sob a luz da lua e dentro de seus quartos, com as luzes acesas, e, por um único instante, se esqueciam do mundo, das dores, dos filhos, das roupas para lavar e da constante obrigação de se anularem cada vez mais.

Muitas mulheres nasceram, casaram-se, tiveram filhos, foram escravizadas e morreram em função de uma sociedade patriarcal, machista, mas não se esqueciam nunca de sua mente capaz, de seu coração ardente e do seu sexo pulsante. Umas acreditaram que nada podiam fazer, outras foram à luta para poderem acontecer.

Essas mulheres, amantes, mães, trabalhadoras, deusas, aos poucos foram conseguindo seu espaço, sua inclusão na sociedade, viveram e morreram, para nós hoje podermos desfrutar de intensa liberdade. Elas saíam à luta, à guerra todos os dias, reivindicando um direito que a elas era negado: o direito de amar. Amar não um amor imposto, obrigado e escravizado, mas um amor puro vindo delas mesmas, o poder de decidir a quem amar, escolher seus homens ou ficarem sozinhas, ou até mesmo o direito de amar umas às outras. Por que não? Por que limitar o amor a uma classe, um grau, um gênero? O amor dessas mulheres foi tão longe e tão intenso ao ponto de perceber que se podia amar uma irmã, seu corpo, seus gostos, seus defeitos, seus jeitos e seu sexo.

Essas guerreiras, amantes entre si, se espalharam por todos os lugares, irradiando as diversas possibilidades a todas as mulheres do mundo, que aos poucos foram se libertando das amarras impostas, e hoje vivem com orgulho de serem livres, de serem lésbicas e de possuírem o dom supremo do amor.

Rosely Roth foi uma dessas mulheres. lésbica, militante e guerreira, brigou com unhas e dentes e ao mesmo tempo com simplicidade e amor para viver em uma sociedade mais justa e respeitadora.

Quando o Brasil se calou e se curvou diante de Figueiredo e seu governo ditador, Rosely se ergueu diante da multidão e levantou com ela dezenas de outras mulheres que também acreditavam que podiam mudar o mundo.

Em uma ocasião Rosely Roth foi ao programa da apresentadora Hebe Camargo, ao vivo, em rede aberta, defender uma filha lésbica de uma mãe homofóbica. A mãe, revoltada, estava a ponto de agredir Roseli, que permanecia calma e serena, apesar de possuir todos os motivos para revidar os insultos e provocações dirigidos a ela. Após o ocorrido, o programa ficou proibido de ir ao ar ao vivo. A apresentadora, então, comprou a briga, dizendo que ela não tinha culpa por Roseli Roth ser uma lésbica inteligente, o que fez com que todo o brasil acompanhasse o caso, dando muito crédito à comunidade lésbica.

O grande dia

No dia 19 de agosto de 1979, em São Paulo, aconteceu o mais importante protesto lésbico ocorrido até hoje no Brasil. Em plena ditadura, quando poucos se arriscavam a exercer o direito negado da liberdade de expressão, lésbicas de São Paulo lideradas por Rosely Roth deram seus gritos por uma sociedade mais justa, menos machista e menos homofóbica.

Elas eram freqüentadoras do Ferros Bar, um ponto GLS da cidade, e foram proibidas de entregar o jornalzinho “Chanacomchana” dentro do estabelecimento. Revoltadas com a atitude da administração do bar, já que eram elas mesmas que o sustentavam, organizaram um protesto na frente do estabelecimento, onde foram até mesmo proibidas de entrar.

O ato deu o que falar, pois estavam presentes, além de toda a comunidade GLS e simpatizantes locais, policiais, políticos e vários veículos de comunicação, que estavam dispostos a notificar o evento.

As mulheres que foram à luta podiam muito bem parar de freqüentar o bar, e este com certeza fecharia, mas não podiam se calar, e perder mais um lugar, entre os poucos que restavam para se reunir, e se divertir. Venceram, e distribuíram o “Chanacomchana” para todos os presentes, inclusive ao dono do bar que deixou bem claro que queria ser o primeiro a ler o jornal.

Em maio de 1981, ocorreu a primeira reunião de grupo lésbicos organizados no país. Hoje, centenas de grupos se reúnem para estudar novas idéias e propostas para melhorar a qualidade de vida e o reconhecimento da comunidade lésbica. Em 2002, houve uma proposta de se resgatar a beleza dos fatos históricos que envolveram a história do orgulho lésbico brasileiro, retratando os fatos e as percursoras da nossa história.

Em 19 de agosto de 2003, a coordenadoria de lésbicas da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo comemorou pela primeira vez o Dia do Orgulho Lésbico no Brasil, com a retratação dos fatos históricos, bênçãos religiosas e apresentações de vídeos, músicas e poesias com a temática homoafetiva e homoerótica. O evento abordou a luta das mulheres lésbicas no Brasil por todos esses anos e refletiu sobre como podemos nos orgulhar de sermos mulheres, lésbicas. De sermos nós mesmas.

É importante para nós lésbicas reconhecermos que temos uma história, que somos fruto de uma luta de décadas por aceitação e respeito. Lembremos essa data, como um marco para podermos dizer a todos que nós temos orgulho de ter vencido muitas batalhas e que temos orgulho de continuar lutando para termos mais respeito da sociedade em que vivemos. E que temos muito orgulho de ser o que somos.

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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