Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

O Budismo e a homossexualidade

por Marco Antonio García

Nos últimos anos o Budismo virou a religião da moda nos paises ocidentais. São diversas revistas e livros falando sobre os benefícios da meditação, yoga e outras praticas budistas. Mas o que o budismo pensa a cerca da homossexualidade? Como nós homossexuais somos vistos por esta religião milenar? Estas e outras perguntas fundamentais para se entender o budismo foram respondidas pela Associação Brasil Soka Gakkai Internacional (http://www.bsgi.org.br/) e pela Lama Chagdud Khadro, diretora da Escola Nyingma do Budismo Vajrayana – Chagdud Gonpa (http://www.odsal-ling.org/), exclusivamente para o Armário X.

Quando o Budismo foi trazido ao Brasil e quais as principais escolas e correntes do Budismo?
O budismo foi introduzido no Brasil pelos imigrantes japoneses, cujo primeiro grupo desembarcou no Porto de Santos em 1908. O budismo divide-se em duas principais correntes: Hinayana (budismo primitivo) e Mahayana (budismo superior). A maior parte das escolas budistas conhecidas no Ocidente segue o budismo Hinayana. Essas duas correntes se ramificam em aproximadamente 80 mil escolas ou seitas.

Quais são as principais diferenças entre essas escolas?
A diferença principal está na motivação/aspiração que o praticante de cada escola faz. O compromisso que se faz é o de reconhecer a pureza inerente e essencial de todos os fenômenos, que está além de conceitos como ‘bom’ ou ‘ruim’, ‘apego’ e ‘aversão’. O budismo Hinayana caracteriza-se por muitos mandamentos e sua prática é extremamente complexa e possível somente para os monges. Por esse motivo, o budismo Hinayana ficou confinado nos templos e monastérios e os leigos tornaram-se dependentes dos monges. O budismo Mahayana não dita mandamentos pelo fato de seus ensinos serem superiores ao do Hinayana, sua prática é mais simples e adequada para as pessoas em geral.

Como é formada a hierarquia dos membros e lideres budistas?
Isso depende de cada escola ou seita. Há duas medidas para a hierarquia. Uma delas é o tempo de prática—há quanto tempo à pessoa está no caminho—, a outra é o grau de realização espiritual da pessoa. Então, quando se está sentado nas fileiras em um templo, em geral os praticantes mais antigos estão sentados em assentos mais elevados. Ainda quanto à hierarquia, externamente há os ‘tulkus’ e lamas reconhecidos, mas internamente ela depende da realização espiritual e de como esta atrai às outras pessoas. Há geralmente um templo principal (sede) onde fica o sumo-sacerdote e depois os templos locais (filiais) dirigidos pelos bonzos ou monges. É nesses templos que os leigos ou adeptos estão filiados e participam de cerimônias e rituais religiosos.

Existe algum livro sagrado onde os budistas baseiam suas crenças?
Há o ‘Kangyur’, ou Cânone Budista, que reúne as palavras proferidas pelo Buda. Há os ‘sutras’ e há também comentários escritos sobre estes. Há também o que chamamos de práticas que são tesouros revelados que foram compilados e codificados.

A quem são atribuídos louvores e adorações na religião budista?
Isso depende também da corrente do budismo. No caso do Budismo Nitiren, considerado o ensino mais avançado do Mahayana, os louvores são atributos da própria pessoa como resultado de seu aperfeiçoamento com base na prática do budismo. Fundamentalmente, o budismo em todos os níveis reconhece a não existência do ‘eu’, então, não haveria inerentemente, alguém a quem adorar ou louvar, mas na manifestação ilusória da mente iluminada, os mestres surgem e as pessoas se conectam com estes mestres, de acordo com seu carma. O mestre é aquele que nos mostra a essência da mente, então a gratidão que sentimos por aquele (a) que nos mostrou a natureza de nossa mente é muito poderosa.

Na visão budista como é formado o ser humano (corpo, alma e espírito)?
Em primeiro lugar, há muitas visões budistas, não só uma. O Buda deu 84.000 categorias diferentes de ensinamentos e há diferenças fundamentais na doutrina e nas visões. Algumas escolas budistas acreditam que o ser humano é formado por quatro principais elementos: água, ar, fogo, terra e kuu. Kuu é o elemento essencial que dá vida à união dos demais elementos.

O Budismo tem a visão do pecado, assim como o cristianismo?
Não. O budismo baseia-se na lei universal de causa e efeito. A própria pessoa é responsável por todos os seus atos, tanto do passado, como do presente e inclusive do futuro. Nas atividades baseadas na nossa percepção, se nós reagirmos de uma forma que traz como conseqüência o mal para os outros, isto cria padrões cármicos negativos. Se nós agirmos de uma forma altruísta e benéfica, isto cria padrões cármicos positivos. Então a moralidade do budismo não é muito diferente da moralidade do cristianismo—não se deve matar, não se deve mentir, não se deve conduzir a vida sexual de uma forma que cause dano, não se deve roubar—mas, além disso, as não-virtudes no budismo abrangem também aspectos mentais como: ter pensamentos maldosos, cobiçar o que pertence a outro e ter uma visão errônea com relação ao que é sagrado.

Existem proibições e regras de conduta para os budistas? Quais as principais?
Não há mandamentos ou regras de conduta no budismo superior. Existe apenas um código de conduta muito restrito a ser seguido por monges e monjas — os monges tomam cerca de 250 votos e as monjas, cerca de 350.

Como o budismo encara a sexualidade humana? Como é visto o sexo dentro do budismo?
Não há considerações específicas sobre essa questão, pois faz parte do comportamento humano tal qual outras atividades. Novamente, varia de acordo com o caminho seguido pelo praticante. No budismo Theravada, segue-se o ideal monástico, que implica em completa abstinência sexual. No budismo Vajrayana, a união das energias masculina e feminina é de fato a união de fenômenos e vacuidade, então a sexualidade deve expressar esta visão da energia feminina enquanto sabedoria inerente e da energia masculina enquanto fenômenos inerentemente puros.

Existem restrições quanto a preservação da virgindade, sexo só depois do casamento, celibato, masturbação, etc?
No budismo superior, cada pessoa adquire a sabedoria para administrar essas questões da vida, não havendo, portanto necessidade de criar regras de comportamento. Monges e monjas fazem o voto de celibato, e também o voto de abster-se de qualquer coisa de seja abertamente sexual. Quanto aos praticantes leigos, é difícil distinguir claramente o que pertence ao budismo e o que pertence à cultura. Nas discussões com relação ao que seria uma má-conduta sexual, quebrar um compromisso assumido no matrimônio, por exemplo, é má conduta sexual, mas não é dito de forma específica que este compromisso seja a monogamia. O compromisso seria algo estabelecido de comum acordo entre os dois, seja ele qual for.

Como o budismo encara e explica a homossexualidade?
O budismo prega a plena igualdade entre as pessoas. A sexualidade é apenas uma das diferenças que caracterizam as pessoas. De acordo com, Chagdud Rinpoche, qualquer relacionamento pode ser um espaço para se cultivar as seis perfeições do ideal budista. Em uma relação entre pessoas do mesmo sexo, se houver o cultivo de generosidade, disciplina moral, paciência, perseverança, concentração meditativa, sabedoria e manutenção de uma visão pura, então esta é uma relação benéfica para o desenvolvimento da mente. Em termos da homossexualidade, ele apenas prevenia contra o desenvolvimento de aversão ao sexo oposto, porque isto dificulta a obtenção de um corpo humano durante o ‘bardo’—estado intermediário entre esta vida e a próxima. De acordo com os ensinamentos, no ‘bardo’ alguém que renascerá como uma mulher sente-se atraída por aquele que será seu pai, alguém que renascerá como homem, sente-se atraído pela que será a sua mãe no momento em que presencia a sua própria concepção, então é preciso que haja esta atração para que aquela consciência se junte à união do esperma e do óvulo. Se há aversão ao sexo oposto, naturalmente não há esta atração e isto causaria dificuldades, fora isto, ele não via qualquer problema.

Um homossexual seria aceito com os mesmos direitos e deveres dentro de um templo budista?
A princípio, deveriam ser aceitos indistintamente.

Um homossexual poderia exercer trabalhos na comunidade budista?
Certamente que sim. Em algumas comunidades eles trabalham tanto quanto os heterossexuais.

Um casal homossexual poderia livremente freqüentar e seguir o budismo?
Essa situação não interfere na prática do budismo.

O indivíduo homossexual deve se assumir? Ou isso não é recomendado?
Essa é uma questão que a própria pessoa deve julgar e ter a capacidade de decidir. Não deve ser necessariamente de um modo ou de outro. O necessário é viver com integridade. Se a pessoa está ‘no armário’, não se assume, e isto a deixa dividida, em conflito consigo mesma, com seu ser e sua sexualidade, fica difícil manter a integridade. Por outro lado, se a pessoa decide que é homossexual, mas não quer se assumir publicamente e prefere levar uma vida de abstinência ou ser discreta em sua vida sexual, sendo ao mesmo tempo muito honesta consigo mesma, acho que não há problema.

Como a família e a sociedade devem interagir com um indivíduo homossexual?
Com amor, compaixão, alegrando-se com as virtudes dele (a) e mantendo uma postura de equanimidade entre ‘eu’ e ‘outro’. Um indivíduo homossexual é um ser humano como qualquer outra pessoa. Um homossexual deve agir dignamente como um ser humano para que a família e a sociedade possam interagir como seres humanos.

O homossexual está em uma escala inferior ao indivíduo heterossexual?
Os dois são igualmente seres humanos, portanto, não há superior nem inferior entre os humanos..Há apenas esta questão de não se desenvolver aversão ao sexo oposto. Isto parece ser realmente necessário para que haja uma continuidade integrada daquele fluxo mental, ou consciência, na experiência que surge após a morte.

Segundo o budismo qual o caminho para paz?
A paz se inicia com a reforma interior de cada pessoa com base na filosofia humanística pregada pelo budismo. O caminho para a paz é o de dissolver os venenos mentais—ignorância, apego, aversão, orgulho e ciúme (ou inveja)—e também eliminar a desilusão ontológica da mente com relação à natureza da existência. Quando estes são completamente eliminados, a natureza pura da mente faz-se evidente e as qualidades que surgem espontaneamente desta natureza pura são desobstruídas. Este processo de purificar a mente e trazer à tona as suas qualidades através do desenvolvimento do altruísmo traz grande paz interior.

Quais seriam os conselhos do budismo para um indivíduo em conflito com sua mente e sexualidade. Que não se aceita e se sente inferior as outras criaturas?
Na verdade, este é um estado comum da existência. Em primeiro lugar, a maioria de nós não tem familiaridade com o funcionamento da própria mente. Por isso, nós precisamos ouvir ensinamentos que nos mostrem, que nos dêem alguma idéia de como a mente de fato é, de como a existência de fato é. Nós precisamos contemplar estes ensinamentos e esclarecer dúvidas através de perguntas e então precisamos aprender a meditar. Quando aprendemos a meditar, rapidamente passamos a ver os fenômenos da mente e vemos que tudo aquilo é extremamente temporário, efêmero e mesmo que tenha padrões poderosos, não é imutável. Quando você consegue ver os padrões, isto lhe dá uma medida de controle sobre eles e você pode, assim, mudá-los. Então, desta forma, há muita esperança de que este tipo de conflito possa ser resolvido.

Para saber mais sobre budismo e homossexualidade, aconselhamos a leitura do livro: “Queer Dharma: Voices of gay Buddhistis” – By Winston Leyland. (Infelizmente ainda sem tradução para o português).


 
 

Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .




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