Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Depoimento Filhos - homossexualidade

Carlos Fernandes

Carlos FernandesEu não saí do armário por opção, fui forçado. Meus irmãos descobriram que eu era gay quando eu tinha quatorze anos, resolveram se juntar com as namoradas e ter um enorme papo comigo. Ficou decidido neste papo (do qual a minha participação foi nula, já que eles não permitiam que eu me expressasse) que iriam dar um jeito na situação e que eles iriam me "curar". Meu cunhado era o mais veemente neste aspecto. Quatro anos se passaram, meu cunhado, vendo que meus irmãos e irmã não tomavam nenhuma atitude séria em relação a minha suposta cura, resolveu contar tudo ao meu pai.

Meu pai tinha uma frase que ele costumava repetir a toda hora: "Não admito que filho meu seja: Viado, ladrão e maconheiro!” Um belo dia, chego em casa do colégio e meu pai está de bermudas e gravata almoçando, me manda trocar de roupa, me enfia no carro e começa a chorar feito criança. Daí veio aquela famosa frase "Onde foi que eu errei?". Respondi que ele não havia errado em momento algum, pois afinal ele tinha mais três filhos e que todos eram héteros, só eu que era homo. Conversamos muito neste dia comigo dirigindo, pois ele não estava em condições, e depois de eu ter garantido a ele que eu não queria ser mulher e nem travesti, voltamos para casa conversando sobre vários outros assuntos, inclusive homossexualidade.

Fiz tratamento psicológico por solicitação dele, mas a minha vida em casa mudou drasticamente. Ele passou a me levar para todos os lugares: faculdade, cursos de idioma e para o meu trabalho. Naquele ano eu só andava de motorista e segurança mulher para que nada saísse do "normal".
O tempo passou e voltei a ter minha liberdade de volta. Um belo dia meu pai liga para o meu trabalho e pede que eu não vá a faculdade, pois lá em casa iria ter um jantar e que ele queria a família toda reunida. Disse que eu não poderia chegar cedo, pois eu tinha prova, mas que assim que eu acabasse a prova iria para casa.

Ao chegar em casa, encontro a família toda reunida, inclusive duas cunhadas e meu cunhado. Nesse jantar meu pai disse uma coisa que me acompanhará pelo resto de minha vida: “Carlos é nosso filho, irmão e cunhado de vocês. A partir do momento que eu e minha esposa, mãe dele, aceitamos e apoiamos a ‘opção sexual’ dele, vocês são obrigados a aceitar também. A partir de hoje não mais vou tolerar qualquer tipo de brincadeira sobre a homossexualidade dele e, da mesma forma que ele respeita a todos vocês, vocês são obrigados a respeitá-lo".A partir desse dia a frase predileta de meu pai passou a ser: "Não admito que filho meu seja: Ladrão e maconheiro!”

Meu pai faleceu há mais de dez anos. Nunca mais tive problemas com minha homossexualidade dentro de minha casa. Meus irmãos e cunhadas aceitam. Minha mãe tem orgulho de mim. Meu melhor amigo, que já se tornou um irmão, é hétero e não admite que ninguém fale um "ai" de minha pessoa. Sou assumido perante a sociedade e não escondo minha "opção" a ninguém, mas nem por isso ando com um outdoor na cabeça dizendo que sou gay; se me perguntam eu respondo na lata.

Meu pai foi meu melhor amigo e até hoje trago ensinamentos de vida passados por ele. Sinto sua falta diariamente e tenho certeza que, onde ele estiver, ele sente o máximo orgulho desse filho gay.

Carlos Fernandes, 34 anos, Rio de Janeiro
cole-turner@bol.com.br

 

 
 

Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .




Para contato, artigos e releases: contato.homossexualidade@uol.com.br