Sou o André, tenho 30 anos e uma história bastante interessante. Pelo menos para mim!!
Sempre fui e sempre serei gay, mas houve um tempo no meu passado que eu não sabia disso!! Talvez esta história não seja tão diferente assim. Acredito que muitas pessoas já passaram pelas situações que vou narrar, mas cada um sente e vivencia de uma forma e a seu tempo.
Desde muito pequeno me lembro “pensando e agindo diferente” dos outros meninos. Sentia e me motivava por outros motivos. Nunca fui de agir pela força, mas pela sensibilidade. Conseguia enfrentar o mundo com uma visão diferente daquela que me era imposta. Mas a família, os hábitos e os preconceitos falaram sempre mais alto. Talvez devido a uma educação um tantinho repressora, onde eu e meus irmãos nos tornamos “os bonzinhos”, os “CDFs”, os “educados”, etc. etc. tudo de bom que um casal gostaria de “criar”. Não que seja ruim ter estas qualidades, mas tudo isso era uma tentativa (com sucesso) de mascarar qualquer defeito ou “defeito”.
E eu era assim, um exemplo para os primos, o queridinho das avós e tias. E a pressão em torno de manter isso tudo sempre estável era na verdade um sufoco para mim. E assim reprimido continuei minha infância. Engraçado pensar e escrever disso agora, um pouco mais velho, mas vejo como meus desejos e ambições eram claros para mim, apesar de serem uma “ameaça” para minha “integridade”.
Minha adolescência também foi um tanto sofrida. Época em que os coleguinhas de escola estão descobrindo os prazeres do sexo. Ficava vendo meus amigos mexendo no calção, coçando, roçando e eu simplesmente não entendia aquilo. Achava que eram depravados. Não entendia ainda o que se passava. Nesta época desafiei os costumes no colégio, sem nenhuma intenção, quando passei a brincar com as meninas na hora do recreio. Conversava, dava risada e gostava da companhia delas. Gozações, sarros, etc. etc. Ouvia e não me sentia motivado a responder, simplesmente não dava bolas. Mas no fundo me incomodava pelo fato de agir diferente. E procurava me portar de uma forma mais masculina (no sentido machista de ser). Aproveitava dos momentos com as meninas mas procurava manter uma imagem de menino bonzinho sem maiores intenções.
Com 12 anos descobri como fazíamos um nenê. Fiquei abismado. Eu que achava que quando duas pessoas se casavam bastava o amor para nascer um ser entre eles. O sexo para mim era sinônimo de sacanagem. Imagina quando descobri a verdade??!!
Só fui descobrir prazer em mim mesmo com 15 anos, bem depois de meus amigos que já falavam um monte de coisas e eu tinha medo ou era ignorante suficientemente para colocar em prática.
O tempo passou, continuava sentindo atração pelos amigos, que sempre me olharam diferente, apesar de não haver “afetação”. Talvez fosse reflexo dos meus olhos.
Mas sabia que nunca teria coragem de tomar qualquer atitude com qualquer homem, nenhuma experiência, etc. etc. Com 18 anos, meu primeiro namoro com uma menina de 15 anos. E durou 2 anos e meio. Tentei, fiz o papel de bom-moço, aprendi a beijar na boca......e só. Mas ela era do signo de gêmeos, desculpem as mulheres de gêmeos, mas vocês são MUITO complicadas. Prometi a mim mesmo que nunca mais sairia com ninguém deste signo.
Depois namorei com outra moça. Ela era diferente porque me dava forças para enfrentar aquilo que me prendia à obrigação. Ela conseguiu me tirar um pouco da influência familiar, e ela também precisava sair um pouco da influência da família dela. Éramos os dois super companheiros, hoje vejo que quase irmãos. Os dois sufocados, com vontade de ganhar o mundo e crescer. Duas crianças na verdade. E as duas crianças se casaram com 19 e 22 anos, respectivamente. UMA LOUCURA!! Dizia minha mãe e tias, mas enfrentamos a todos e provamos que podíamos seguir em frente. No começo foi bastante difícil porque as famílias não davam muito espaço, mas fomos conquistando-o até conseguirmos vida própria. E passamos 5 anos juntos.
Para mim foi uma prova acima de qualquer limite. Abdiquei de tudo o que sentia para construir um novo André. Respeitei e fui fiel à esposa, mas algumas coisas não encaixavam, principalmente sexo....
Ela não curtia muito, eu me acomodava, não sentia motivação, fazia por obrigação, e assim por diante. Mas vivíamos o casamento perfeito, aos olhos dos outros.
Até que começamos a nos questionar. Ela cresceu e amadureceu, criou vida própria e principalmente profissional e viu que o mundo era maior do que aquele que tínhamos construído, tão irreal. Foi fazer terapia e conversamos muito, durante meses a fio, até que decidimos que éramos tão amigos que precisávamos nos separar para nos encontrar.
Eu tinha medo de terapia porque tinha consciência de que iria “descobrir” algo que talvez não tivesse estrutura para suportar. Mas fui atrás e encontrei uma profissional-anjo que me guiou pelo caminho. Depois de um ano comecei meus primeiros passos, já com 28/29 anos. Internet foi minha entrada para o mundo e, apesar de inexperiente, confiei muito no meu “oitavo sentido”. E me dei bem. Quando estava preparado, conheci três pessoas que me ensinaram:
1-) Tocar outro homem é maravilhoso.
2-) Namorar é gostoso e assumir isso perante uma parcela do mundo é fantástico.
3-) Amar.
Hoje eu amo, com todas as minhas forças, certezas e ambições. Um geminiano que hoje complementa toda minha felicidade e recebe em troca todo meu carinho e respeito.
Estamos casados há 4 meses e nos conhecemos há 9.
O que falta? Transparência e verdade. É tudo que gostaria e me completaria 100%. Mas em função de algumas dificuldades em família, sejam de saúde ou simplesmente preconceituosas, ainda não saí totalmente do armário. Mas tenho sentido que este momento está chegando.
Em minha vida nada foi drástico ou traumático. Tudo foi um aprendizado. Fui ao limite para passar a barreira do crescimento e amadurecimento e hoje posso dizer com convicção: Sou gay e sou feliz.
André Freitas
andreeua@superig.com.br