Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Depoimento Filhos - homossexualidade

Alex Jr

Meu nome é Alex S. H. Jr. e tenho 41 anos. Sou carioca do Lins de Vasconcelos, próximo ao Méier.

Sou um cara alegre, extrovertido, amigo, solidário, extremamente sensível e crente em um Deus que nos quer felizes e que, para tanto, realizou um mundo maravilhoso, mas que nós estamos destruindo. Procuro viver a minha vida sempre preocupado com aqueles que me cercam e realmente são importantes (família, amigos, colegas de trabalho, etc...), tentando fazer suas vidas um pouquinho melhor do que ela são.

Adoro a noite, música (dance internacional e algumas músicas de alguns cantores e cantoras nacionais), bebo apenas socialmente, e parei efetivamente de fumar há um ano, depois de 22 de razoável fumaça. Como bom leonino com ascendente em Leão, gosto de bons ambientes, boas companhias, boas roupas, de dinheiro (quem não gosta?) suficiente para não ter que me preocupar com grana; amo viajar e passear. Nunca me achei bonito, mas acho que substituí a beleza por um certo charme e muita inteligência. Sou um apaixonado pela vida.

Sempre me achei diferente dos outros meninos da minha idade (há vinte anos atrás, as informações não eram fartas como hoje). Sempre gostei de brincar com meninas (pelo tipo infantil e inocente das brincadeiras) mas sentia forte atração carnal por meninos. Embora conhecesse alguns gays famosos, quando comecei a me entender homossexual, achava que teria que me vestir de mulher, falar fino e com trejeitos muito femininos. Por isso, não me aceitava e me frustrava muito. Não tinha com quem conversar e dividir minhas descobertas, medos e minhas frustrações. Afastava-me das pessoas com medo que alguém pudesse perceber que eu era “viadinho”. Essa palavra, aliás, me magoava profundamente. Os colegas que me atacavam, normalmente usavam essa palavra para me afrontar e, normalmente, isso me causava mal pior do que se me batessem... Isolava-me das pessoas em um mundo só meu por medo de ser “descoberto”.

Aos 24 anos, já conhecia alguns amigos gays e as informações eram maiores. Já sabia que não era nenhuma doença e que eu não precisaria ser “mulherzinha” e nem me vestir de mulher para ser eu mesmo. Mesmo assim, escondia da família e da sociedade que me cercava. Nessa época fui às primeiras Boates gays e, em Salvador, conheci meu primeiro namorado: Marcos. Foi amor à primeira vista, da minha parte e da dele também. Minha primeira vez foi inesquecível e, por isso, acho que pude ser uma pessoa normal e sem traumas na minha vida dali por diante. As pessoas que restringem sua própria consciência sexual, tendem a desenvolver personalidades psicóticas. Com três meses, descobri que ele era um “michê” e, por entender que ele não poderia largar esse tipo de vida, por minha causa, terminei o relacionamento. Tive outros namorados, mas ainda sentia que poderia evitar sofrimentos desse tipo de vida (pelo preconceito e, conseqüentemente, pela impossibilidade de formar uma família “normal”) se me negasse essa atração e “optasse” por ser HETERO. Tentei ainda alguns relacionamentos heteros e fiz algumas mulheres sofrerem ao abandoná-las simplesmente porque descobria que não poderia ser feliz ao lado delas, mas sem explicar o porquê de terminar tudo. Custei muito a perceber que isso não era uma opção e que não podia deixar de viver minha sexualidade pelos outros (família, amigos ou colegas).

Posso dizer que apenas há uns oito anos resolvi ser eu mesmo para mim: não me esconder de minha orientação sexual mesmo que, para vivê-la, precise omitir ao mundo qual ela é. Vivo-a intensamente e hoje, se perguntado, sinto-me estabilizado financeira e psicologicamente para responder a verdade a quem quer que seja.

Depois que minha mãe morreu, e em uma oportunidade que não me recordo, contei ao meu irmão e irmãs. O meu irmão me aceita, ironizando, até hoje, por achar que eu tive algum trauma, mas que uma mulher de verdade poderá me trazer de volta para o lado branco da força... Das minhas irmãs, a mais velha, nunca aceitou, mas hoje convive com o fato, sem conversar sobre ele. A mais nova aceitou e curte tudo, inclusive meus namorados, numa boa, tendo até contado para outras pessoas, sem minha autorização. Ela gosta de mim e me aceita como sou.

Meu pai, embora desconfiasse, nunca ouviu da minha boca e nem de meus irmãos ou amigos. Ele sabia, sim, porque eu morava com meu atual ex-caso e percebia a maneira carinhosa como nos tratávamos. Meu pai e eu tínhamos um relacionamento difícil desde a morte de minha mãe. De um tempo para cá, paramos de nos falar e ele morreu no início de 2002 sem que pudéssemos conversar sobre isso. Acho que, para ele, foi melhor assim. Queria ter contado para ele, mas não sei qual seria a sua reação. Também não ia querer que sofresse por isso. Na cabeça dele e pela pouca cultura que possuía, jamais entenderia que não era uma opção e que eu jamais poderia ser diferente, me negando uma condição que fugia totalmente à minha vontade.

Hoje tenho meu trabalho, minhas casas, meus cachorros (a quem chamo de filhos), meus amigos, namoro um jovem de 18 anos, aceito-me totalmente, e nunca mais pensei em agir de forma diferente para esconder meus verdadeiros sentimentos. Embora ainda esconda minha orientação da sociedade em geral, não deixo de sair, de estar com amigos gays em baladas ou outros eventos em locais abertos, enfim, levo minha vida sem contestar o sistema mas sem me negar ser feliz. Tenho muitos colegas e amigos HETEROS: os amigos sabem e me aceitam ou simplesmente se afastaram, embora eu os ame tanto que ainda os considere meus amigos. Nenhum deles me rechaçou. Alguns amigos poderiam dar depoimentos para o ARMÁRIOX, embora eu não queira expô-los, sem que eles me autorizem.

Não sou assumido para o mundo porque acho que não preciso disso. Queria muito poder beijar o meu namorado em público, normalmente como fazem os casais heteros, mas sei que o mundo não está preparado para essa cena, mas sei que algum dia estará. No trabalho, não posso falar porque, embora não possam me colocar para fora (meu trabalho e competência não podem ser contestados), poderiam me prejudicar profissionalmente, pois o ambiente é altamente homofóbico. Essa é a razão de não poder colocar minha foto exposta nesse site. Mas, se perguntado e colocado contra a parede, responderia a verdade. Sou um excelente profissional, perfeccionista em tudo e de grande talento em qualquer coisa que faça, mesmo que não domine o assunto; aprendo muito rápido.

Sofri apenas uma manifestação pública de preconceito no sábado após o carnaval de 2003, na Praia de Ipanema, RJ. Estava com meu namorado e mais três amigos me protegendo da chuva sob uma sacada de um edifício. Havia um grupo de barraqueiros (aqueles mesmos que comercializam seus produtos na praia mais gay do Rio de Janeiro e vivem do dinheiro cor-de-rosa, bem em frente à Rua Farme de Amoedo), com algumas crianças, quando o meu namorado me abraçou e me deu um beijo no rosto. Um deles nos encarou por causa do beijo e disse que deveríamos sair dali. Eu o encarei e ele continuou falando... Depois de algum tempo, ao perceber que eu não permiti que saíssemos de lá, eles mesmos saíram e foram embora. Sei que foi porque eu falei grosso e tenho 1,84 m de altura, além de estar com mais três amigos nada fraquinhos e meu namorado, mas o que importa é que consegui espantá-los. EU NÃO ACEITO mais qualquer tipo de preconceito quando souber que não fiz nenhuma afronta (como foi o caso) a ninguém, ainda mais no caso, quando sabia que aqueles “mortos de fome” só comeriam graças ao nosso dinheiro.

A sociedade é preconceituosa até o ponto em que pode ser. A Igreja existe para apoiar suas causas, quando são de seu interesse. Quando o poder econômico começa a falar mais alto, caem preconceitos, e o que é vermelho passa a ser azul com a maior facilidade. Os gays não sabem a força que possuem para quebrar os preconceitos na nossa sociedade consumista. A maior parte deles é composta de solteiros, sem filhos, trabalha e ganha bem, é auto-suficiente, e conseqüentemente, gasta muito consigo mesmo. São eficientes porque, desde cedo, aprendem que precisam se provar auto-dependentes, capazes, preparados, para mostrar ao mundo que são vencedores.

Com a experiência de vida que angariei, com os sofrimentos pelos quais passei, desde que me descobri, depois de me aceitar, até hoje, se eu pudesse conversar com um pai ou uma mãe que descobriu ou pensa que seu filho ou filha é gay, diria o seguinte, esperando que lê(a) entendesse que eu falo a verdade, do fundo do meu coração:

Ninguém escolhe ser gay, assim como ninguém escolhe ser HETERO. Não é uma questão de opção. É algo que foge à nossa vontade, mas que pode fazer muito mal se não for bem digerido. Se pudéssemos, obviamente, todos escolheríamos ser HETERO só para não sofrer as tristezas e os traumas, senão da sociedade inescrupulosa e voraz, da própria família, de um pai e de uma mãe. Um jovem (homem ou mulher) passa por uma fase de dúvidas sobre sua sexualidade, por falta de conhecimento ou de pessoas próximas com quem abrir seu coração e suas dúvidas, e pode até mesmo experimentar situações diferentes, mas aquilo que realmente mexe com sua sexualidade (outro ser do mesmo sexo ou do oposto) aparecerá mais cedo ou mais tarde. Essa é a razão de tantos casamentos desfeitos, com maridos deixando suas esposas e filhos infelizes (na maior parte das vezes), simplesmente porque descobriram, tardiamente, que não poderiam ser felizes com uma pessoa do sexo oposto. Mais cedo ou mais tarde isso aparece. Outros se tornam psicopatas, matando aqueles que, ao contrário de si próprios, assumiram sua sexualidade sem barreiras. seu filho(a) não escolheu ser o que é.

Se você desconfia de seu filho ou filha, informe-se com pessoas entendidas no assunto, cultas, leia bastante sobre o tema, não prenda-se a um tipo apenas de informação, que pode ser tendenciosa demais. Depois de conhecer o assunto o mais que possível, procure o momento certo para falar com seu(sua) filho(a) (muitas das vezes, ele já tentou falar mas ficou com medo de sua reação). Não se imponha nenhuma atitude que não seja a certa. Deixe-o falar de suas angústias, de seus medos e de seus sentimentos. Não lhe negue (se for o caso) que você esperava não fosse verdade, mas deixe claro que o seu amor é maior do que a sexualidade dele e que, seja qual for sua orientação sexual, o que você quer é que ele seja feliz, leve uma vida saudável, ajuizada, seja honesto e verdadeiro consigo mesmo. Não esqueça de dizer que você o apoiará, desde que ele esteja sempre no caminho reto.

Você, pai ou mãe, não imagina o quanto ele(a) ficará feliz e o quanto ele(a) te será grato(a) só por isso... Só por você ter facilitado a sua aceitação. Ele será uma pessoa que estará sempre do seu lado, feliz, compartilhará suas alegrias e suas tristezas. Você será responsável pela felicidade dele(a) pelo resto de sua vida, mesmo depois que não estiver mais nesse mundo.

Do contrário, caso você não respeite sua orientação, poderá, mais tarde, encarar a derrota dele diante da vida, suas frustrações, seu amargor diante do futuro, sua decepção com ele mesmo, infeliz entre tantos que alcançaram a felicidade, etc... Poderá, em casos mais extremos, enfrentar as reclamações de sua nora ou de seu genro, sugerindo que ele(a) não a(o) satisfaz sexualmente, colocando sua auto-estima ainda mais para baixo, ou ainda, visitá-lo num manicômio judiciário por coisa ainda pior.

Pai ou mãe: cabe a você a decisão. Como você não é eterno, e como fez desde o nascimento, deve escolher em deixar seu filho(a) cair e continuar no chão, ou ensiná-lo(a) a levantar-se e prosseguir caminhando na difícil e tortuosa estrada da vida.

Agradeço aos meus verdadeiros amigos (aqueles HETEROS que me aceitam como eu sou e aqueles gays que me acompanham nessa caminhada) por estarem ao meu lado sempre.

E um abraço para todos que leram minha mensagem até aqui. Espero que, com a mensagem aos pais, acima, consiga que um jovem, pelo menos, receba o apoio de seus pais e sofra muito menos do que eu sofri, e descubra o quão maravilhoso é ser ele mesmo.

Alex S. H. Jr.
E-mail abusado_rj@ig.com.br

 
 

Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .




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