Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Drag's Gêmeas "Dolly & Dolly

Entrevista

Perucas rosas, plataformas gigantes, muito brilho no rosto e boca solta para animar os baladeiros de plantão. E tudo isso em dobro. Apesar do nome sugestivo, Dolly e Dolly não são nenhum produto das inovações da genética, mas certamente não passam despercebidas por onde andam.

Há seis anos, os irmãos gêmeos Márcio e Marcelo descobriram que podiam fazer do prazer de animar as pessoas uma profissão, uma forma de encontrar reconhecimento e também de se divertir.

Nesta entrevista, elas, ou eles, revelam o início da carreira, a alegria e o respeito que encontraram no trabalho, e contam como foi o desafio duplo dos pais na aceitação.


Quando e como vocês começaram a carreira?

Dolly 1 - Nós começamos brincando, há cinco anos e meio. Tinha uma peça num bar nos Jardins, o Paparazzi, o dono era meu amigo e queria contratar uma drag. Antes não tinha tantas quanto hoje. Ele conversou comigo e eu queria fazer, mas minha irmã não queria. Aí a gente conheceu a Dimmy Kier, que falou : “Bicha, já pensou, duas drags iguais, cara, duas bichas iguais, gêmeas, ia ser fantástico!”. Então ela falou vamos começar, vamos fazer, eu ajudo com maquiagem, roupa, peruca, levo vocês nos lugares e vocês fazem. Nós fizemos essa peça numa sexta-feira e na outra sexta-feira saiu na Noite Ilustrada, na Folha de S. Paulo, e daí não parou mais, foi trabalho direto, até hoje, todos os dias, com show, telegrama, aniversário, chá de cozinha, despedida de solteiro, nós fazemos de tudo.

Vocês se consideram realizadas?

Dolly 1 - Muuuuito. Muuuuito. È legal, porque é gostoso levar um pouco de alegria para as pessoas, diversão para o povo, eu gosto muito. E ainda ganhar dinheiro, né, querida!

Como vocês saíram do armário?

Dolly 1 – Ah, eu saí fora do armário. A minha irmã nasceu meio engavetadinha, assim, mas eu já nasci para fora do armário. Já saí da barriga da minha mãe com um saltinho cor de rosa, uma meinha com um monte de pomponzinho, um vestidinho curto e “e aí” pro mundo.

Como é a relação de vocês com seus pais?
Ah, no começo, quando eles descobriram que a gente era gay – que não basta ser um, né, tem que ser dois! -, minha mãe pensou que tinha picado salsinha na tábua dos dez mandamentos. Ela queria neto de mim, mas, mãe, não via dar. No começo ela chorava muito, né... Pra mãe é difícil aceitar um filho (gay), aceitar dois é muito mais. Aí ela começou a falar com as amigas, e isso amenizou um pouco. A gente também conversou muito, porque o relacionamento na minha casa sempre foi um pouco aberto, dá pra conversar, pra expor as idéias, sempre faziam com que a gente falasse o que estava acontecendo mesmo, porque o pai ta em casa, a mãe também, eles muitas vezes não dão espaço para o filho falar. Mas meus pais sempre deram espaço para a gente falar e poder debater o que a gente sentia. E hoje é um relacionamento muito bom, vai com e gente em programa de TV, dá entrevista, meu pai também é super gente boa.


Que conselhos vocês dariam para os pais desses jovens gays que já saíram do armário, já que vocês têm uma experiência de boa relação com os seus pais?

Dolly 2 - O babado é o seguinte: o gay, quando começa a descobrir a sexualidade, é por volta de 15, 16 anos. Você fica meio confuso, meio perturbado, “o que quê eu vou fazer?”, é o instinto, a vontade de ficar com outro homem, essas coisas, você não sabe o que fazer. Então o legal é os pais poderem conversar um pouco com os filhos. È difícil, é difícil, mas...

Dolly 1 – Meu pai disse assim para mim, quando eu falei: “Sou gay, sou drag queen, sou o que você quiser, agora me chama de imundo e me joga para fora de casa”, ele falou, “Não, você é meu filho, você vai continuar sendo meu filho, não importa o que você seja, não importa o que você faça, eu gosto muito de você, eu criei você para o mundo, eu acho que o mundo que te aceite, eu acho que você também tem suas decisões, então você corre atrás dos seus objetivos e seja feliz”. Então ame seu filho, respeite muito as decisões dele, porque também não adianta brigar, xingar, achar que é o fim do mundo. Não, compreenda, converse, pergunta o que está acontecendo, vem numa boate gay, pra saber também que aqui, geralmente, em boate gay, não tem muita discussão, muita briga, não tem confusão, as pessoas aqui se respeitam muito. Então as pessoas devem entender o que se passa. Hoje ser gay não é mais um bicho de sete cabeças, igual antes. Antes, quando eu era pequeno, eu olhava pro povo gay, e você olhava para a TV e a mídia só expunha personagens gays travestis. Aí eu olhava assim e “gente, eu vou ser travesti, meu Deus do céu, estou fudida”. Aí eu cheguei perto, viu...Eu quase dobrei o cabo da boa extravagância.

Dolly 2 – Para o pai ter um filho gay à vezes é difícil, é complicado, mas mesmo assim, o importante é você conversar. E pros gays, também, respeitem seus pais, sempre tem a hora certa de chegar e conversar. Os pais também têm que estar abertos a ouvir o filho e saber o que se passa na vida dele. Independente de tudo, é seu filho.

Dolly 1 – Uma amiga minha foi contar para os pais no dia do Natal. Aí estava a avó, o avô, todo mundo lá sentadinho, comendo tudo, aí o filho levantou da mesa e falou “Pai, mãe, eu sou gay”. Bicha, o pai quase engoliu o peru. A mãe caiu de cabeça no peru Califórnia, passada. Então a gente que é gay também tem que saber respeitar os limites dos outros. O pai que eu tenho é diferente do que outras pessoas têm. Então, procurar conversar, sempre se entender, e respeitar o pai e mãe também, eles colocaram a gente o mundo, né, a gente tem que respeitar bastante eles.


Você acha que a sociedade hoje encara os gays de forma diferente? A cultura GLS está saindo do armário, sendo mais reconhecida?

Dolly 1 - Hoje, o mundo gay está muito mais aberto, a cultura GLS está se expandindo bastante, a gente tem uma Parada gay que vão 500 mil pessoas. 500 mil bichas num rua, cê acha? Então hoje o mercado gay está se abrindo mais, a mídia está se voltando mais ao trabalho artístico gay. Porque não adianta só falar que você respeita os gays, tem que mostrar, que gay também tem gente muito boa, muito honesta, como qualquer um. A gente trabalha muito com festa e te muita gente que chega e fala “Ai, cara eu adoro vocês, olha, ter amigo igual a vocês é muito melhor do que ter amigo normal”. Você acha que eu não sou normal? Você acha que acontece alguma coisa que eu sou anormal? Então hoje as pessoas estão se abrindo mais para ver o trabalho que a gente faz, que a gente faz um trabalho legal. Muitos gays trabalham em muitas coisa,s moda, maquiagem, alta costura, tem várias bibas trabalhando, então hoje tem muito mais gays trabalhando, fazendo e mostrando o que é de verdade.

Dolly 2 – Eu acho que antes os que eles mostravam na televisão era muito as travestis. Hoje não, eles mostram mais diversidade, homem como homem, mulher com mulher, e vê, tipo assim, todo mundo é normal, todo mundo é ser humano, eles estão aprendendo a respeitar um pouco mais. E a cada dia a gente está lutando para que nossa situação seja melhor no país que a gente vive. Eu acho que agora com um novo presidente eu vai mudar muita coisa.

Dolly 1 – Eu quero mostrar meu trabalho pro mundo, sabe, a gente trabalha pra alegrar as pessoas, a gente respeita muito as pessoas pra ser respeitado também, acho que é isso que vale, você levar a pessoa com seu igual, não tratar diferente. Porque às vezes você chama, igual a gente que conversa, “ô bicha, ô viado”, mas é a gente falando entre nós. Mas aí você passa na rua e “ô viado, filha da puta, ô travesti”, então não é assim, tem jeito para tratar as pessoas. Então é mais calmo, falar “bicha, amiga!”. Mas tem coisa muito pejorativa, essas coisas não são muito legais.


Para visitar o site deles, clique aqui

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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