No princípio, timidez, olhares discretos e poucas palavras. No final, descontração total, promessas de novas amizades e até mesmo de futuras paqueras. Entre o princípio e o fim, muito bate-papo, risos e descontração, compondo a trajetória da integração e diversão que deu vida ao Primeiro Encontro da Família Armário X, dia 23 de agosto, em São Paulo.
A festa, ainda tímida, começou no metrô Barra Funda, ponto de encontro do grupo, que foi crescendo no decorrer do dia. O cenário, o histórico Parque da Água Branca, zona oeste da capital paulista, era um convite ao descanso. Mas o que se viu naquele sábado foi pura animação.
Primeiro, a apresentação descontraída de cada membro da Equipe Armário X. Depois, os integrantes da lista de discussão. E não demorou para que logo o grupo todo engrenasse um debate sobre sair do armário, família e religião. Aos poucos, novos membros chegavam ao encontro, e a timidez cedia lugar à desinibição. E quanta desinibição! Não só muitas gargalhadas e brincadeiras, mas longos e apaixonados beijos, coloriram ainda mais o cenário do parque num dia que já havia nascido azul e ensolarado.
Fotos, beijos, mais fotos, e uma parada para um produtivo piquenique. A palavra de ordem era compartilhar. E atacar! Abastecidos, chegaria a hora de testar os conhecimentos dos internautas a respeito do Armário X. Divididos em duas equipes, os participantes do encontro teriam de responder às perguntas que tinham como tema a equipe, as seções do site e os assuntos nele abordados.
Após uma árdua disputa para descobrirmos quem "sabia menos" sobre o Armário X, finalmente, o vencedor. E alguns brindes bem característicos: chaveiro, brinco e corrente com as cores do arco-íris, além de dois ingressos para assistir à peça Quarteto em Rir Maior, recomendadas pelo nosso Guia Cultural . Mas os competidores pareciam saber que a recompensa maior, certamente, foram as amizades que ali surgiam ou se fortaleciam, brindando o espírito de integração que motivou, desde sempre, a realização do encontro.
Não demorou para que a disputa momentânea cedesse novamente lugar à já então consolidada amizade. Juntos, todos os participantes iniciaram uma caminhada pelo Parque. Muita alegria, companheirismo, cumplicidade e casais de mãos dadas tornaram o passeio um show à parte. No caminho, alguns freqüentadores lançaram olhares curiosos ou interrogadores, alguns possivelmente de desaprovação, mas não houve hostilidades. A felicidade de estarmos juntos servia como um escudo e, ao mesmo tempo, como uma arma que acertava em cheio os corações e mentes de quem nos via, e reprimia, insconscientemente, qualquer ação que não fosse compatível com o clima de descontração que vivíamos.
Percorremos todas as trilhas asfaltadas do Parque. Observamos abelhas silvestres, contemplamos o lago, brincamos com os cavalos do estábulo, saudamos o "trenzinho" que passava levando outros freqüentadores. Fotos, muitas fotos. E, no ar, um sentimento de segurança, paz e harmonia. Naquele lugar, por aquelas poucas horas, pessoas que estavam acostumadas a se esconder da família, dos amigos, dos companheiros de trabalho e da sociedade como um todo puderam experimentar a fantástica sensação de serem autênticos, de tirar as máscaras, de poder mostrar o que sentiam, sem neuroses, sem vergonha e sem medo.
No final do dia, cansados, mas entusiasmados, os participantes do Encontro reuniram-se em roda em frente ao casarão que fica a alguns metros da entrada do Parque. Trocas de confidências, elogios, mais brincadeiras e um inocente "Jogo da Sedução" descontraiu a todos, enquanto éramos observados atentamente por um senhor de meia-idade, que parecia maravilhado com nossa naturalidade. Na despedida, beijos, fortes abraços e promessas e sugestões de novos encontros. Houve até quem quisesse realizá-los todos os meses...