Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Dormindo com o inimigo - Parte 2

Por Wó Calegari

Na primeira parte desta reflexão, estávamos falando sobre o preconceito internalizado dos homossexuais, que os leva a não enxergarem-se como cidadãos e sujeitos de direito. Tal entendimento, muitas vezes, os direciona para o confinamento numa suposta autopreservação: ficando quietinho no meu canto, fingindo ser um sujeito como os outros, não expondo minha sexualidade, fico mais seguro e mantenho tranqüila minha trajetória. Um direito de cada um pensar ou não assim. Mas entre não querer expor você mesmo ao preconceito e postular que um homossexual não deva se expor, demonstrando em público carinho por seus parceiros ou parceiras, por exemplo, existe um imenso abismo.

É nesse abismo que tantos não percebem que jaz a consciência de respeito por si próprio, pelo seu direito de ser o que você é, pelo direito do outro de ser o que ele é. Os olhos que avistam esse abismo são os olhos da exclusão, do preconceito, tão perigoso quando direcionado a nós próprios. Sim, trata-se de um preconceito de origem cultural. E assim ele deve ser percebido e combatido por aqueles que o sofrem.

Nada contra?

Pois essa mesma visão excludente, que nos reserva o indigno papel de inimigos de nós mesmos, pode ser percebida na forma com que muitos gays tratam outros gays que julgam diferentes. É a guetificação dentro do próprio gueto, natural, mas caduca e alienada quando desprovida de respeito. Nem sei quantas vezes já ouvi olhares tortos e frases preconceituosas direcionadas a garotos efeminados ou a meninas masculinizadas. Muitos 'justificam' a atitude preconceituosa contra um gay efeminado com a afirmação de que, para eu ser gay, não preciso parecer mulher. Julgam combater, assim, a visão estereotipada do gay ou da lésbica. Combater o estereótipo é saudável, de certa forma.

A armadilha ocorre quando esse combate produz o efeito perverso não de pôr fim aos estereótipos, mas de excluir os indivíduos que representam esses estereótipos. Uma exclusão ilustrada naquele famoso pensamento de "eu não quero aquela bichinha afetada ou aquela caminhoneira perto de mim, se não vão queimar meu filme". Quase um genocídio cultural, sob a justificativa de 'purificação' do grupo (a definição do que seja um grupo é bastante controversa, eu sei, mas deixemos esse assunto pra outra hora). Acho que todos já ouvimos esse papo de purificação antes e sabemos muito bem no que deu, não? Boa coisa não pode sair disso.

O estereótipo do gay efeminado foi culturalmente reforçado como mecanismo de exclusão, de desvalorização da figura do gay, para torná-lo um indivíduo à parte da sociedade. Isso, é claro, dificulta a aceitação da diversidade. Com que cara e com que coragem os homossexuais podem falar em respeito à diversidade se eles próprios sucumbirem ao desrespeito contra homossexuais que tenham comportamentos diferentes, mesmo que esses comportamentos representem o próprio estereótipo? Diversidade é diversidade. Respeito é tudo. Não se pode respeitar a diversidade voltando os olhos apenas para aquilo que julgamos correto e virando a cara para o resto do mundo.

Não preciso dizer que todo mundo tem o direito de ser o que é. Tem que ser muito tapado ou cabeça miúda pra não reconhecer esse direito. Efeminado, boyzinho, patricinha ou caminhoneira. Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum: a consciência de que todos somos indivíduos livres. Se você preza a liberdade, solte primeiro suas próprias correntes, que tantas vezes te prendem ao medo de ser o que você é. Por que não dar as mãos ou beijar em público, se isso te fizer bem? Se não fizer, ótimo, fique na sua. Se quiser ser livre, é bom não se preocupar com os olhos alheios. Se quiser ser respeitado, respeite. E respeite-se, acima de tudo, para acordar do pesadelo sem medo de viver a vida fora do gueto que a sua própria miopia tantas vezes lhe impõe.

Entre em contato, dê sua opinião:

Wó Calegari
wocalegari@gmail.com

Wó Calegari

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

.

Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


Para contato, artigos e releases: contato.homossexualidade@uol.com.br