Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
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se assumir
cura da homossexualidade

 
 

O pior preconceito é aquele que vem de dentro.

Por Valéria Melki Busin

Muitas vezes me pego confusa com a situação das lésbicas no Brasil. Se por um lado vimos a nossa visibilidade aumentar incrivelmente no último mês de janeiro (no rastro da infeliz tragédia que cercou Cássia Eller, Eugênia e Chicão), por outro vejo um fenômeno estranho tomando corpo: o preconceito que as lésbicas alimentam em relação a outras lésbicas. Isso para não falar do triste preconceito que muitas mulheres ainda têm sobre sua própria orientação sexual.

Sinto arrepios de desconforto quando vejo uma mulher se referir pejorativamente à outra como "masculinizada", agressiva ou inconveniente - termos muitas vezes aplicados à própria Cássia Eller. Claro que cada pessoa tem todo o direito a ter suas próprias preferências estéticas ou morais, isso não se discute. O problema começa quando esses rótulos são justificados de maneira escorregadia, com o terrível argumento de que mulheres "desse tipo" prestam um "desfavor à causa lésbica", pois transmitem uma imagem que não condiz com aquela que se quer pública: a de mulher "normal", "feminina", "correta".

Sinto aí um cheiro forte de preconceito da pior espécie - aquele que vem de dentro da própria comunidade -, como se fôssemos obrigadas, pelo simples fato de sermos homossexuais, a "vender" uma imagem que agrade indistintamente a toda a sociedade.

Eu lanço aqui uma pergunta: as mulheres heterossexuais têm uma única imagem, um comportamento padrão ou uma correção moral absoluta? Não existem, por acaso, mulheres heterossexuais que sejam grosseiras, feias, drogadas, agressivas, vulgares, machistas, traiçoeiras? Por que então nós, lésbicas, temos de nos pautar por um código moral e estético tão estrito e pobre, na tentativa de uniformizar "na marra" nossas personalidades, tão diversificadas quanto as personalidades heterossexuais?

A resposta não é nada difícil: é uma tentativa de nos tornar seres "palatáveis" à opinião pública, ou seja, trata-se de uma reprodução fiel de todos os piores preconceitos que nos cercam, apenas com uma fachada "engajada". Nós realmente precisamos dessa imagem pública para sermos aceitas? Precisamos de um rosto bonito, de um comportamento ideal, de uma camisa-de-força? Onde ficam o direito à diferença, o respeito à diversidade, a tolerância que tanto queremos?

Esse sintoma é preocupante, pois mostra que ainda há mulheres que se sentem tão desconfortáveis com sua própria orientação, que procuram desesperadamente uma referência "politicamente correta", externa, pronta, fácil de agradar. Nós realmente não precisamos de nada disso se nos sentimos tranqüilas com nossa homossexualidade a ponto de sermos nós mesmas e de permitimos que as outras sejam o que bem entenderem. A questão aí se resume em se aceitar com serenidade. Não precisamos provar nada para ninguém, precisamos apenas de respeito. E para isso, precisamos começar por nós mesmas e aprender a lição mais básica: a tolerância pela diversidade. Como bem diz o hino da Parada "Viva a diferença, a diferença é viva!"

Em tempo: quem diria que a "marginal", "masculinizada", "drogada", "inconveniente" e assumidíssima Cássia Eller despertaria tamanha comoção e solidariedade nacional pelo simples fato de ter sido sempre ela mesma, sem hipocrisia, sem máscaras e sem imagem bonitinha e agradável? Será que uma escorregadia Marina Lima (linda, não se discute) ou uma disfarçada Zélia Duncan (maravilhosa, sem dúvida) trariam tantos benefícios à tão falada "causa lésbica"?

Valéria M. Busin
valerinhamb@uol.com.br

Valéria M. Busin

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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