Atualmente a única forma eficaz de se proteger contra o vírus das Aids, e outras doenças sexualmente transmissíveis, é usando a camisinha.
Na história da humanidade, homens e mulheres inventaram muitas formas de proteção contra as doenças sexuais e a gravidez. Fórmulas exóticas apareceram, como suco de gengibre, de fumo e até excremento de crocodilo, que possui o PH alcalino.
Outras invenções curiosas apareceram. Na Ásia surgiu o envoltório de papel untado em óleo. Na Europa, o forro de linho para o pênis embebido em ervas, inventado pelo cirurgião Gabrielle Fallopio (1564). Já o protetor feito com tripa de animal foi inventado pelo Dr. Quondam (1685). Este último fez tanto sucesso que o tal do protetor de pênis recebeu o nome de "condom", em homenagem a este médico inventor que era da Inglaterra. Outros registros históricos indicam que o nome veio de latim, condus, que quer dizer receptáculo.
A camisinha de tripa de boi se tornou popular e foi usada até 1870. A partir dessa data se passou a usar a camisinha de borracha inventada pelo inglês Charles Goodyear. Eram grossas e reaproveitadas. Logo em seguida, em 1939, a indústria inventou a camisinha de látex, flexível e de melhor uso. Ela era muito parecida com as de hoje em dia.
Este preservativo se tornaou conhecido e popular no mundo inteiro com a chegada da Aids. Apesar da estúpida posição da Igreja Católica em condenar o uso do preservativo para a prevenção contra essa doença mortal, ela é usada, também, pelos adeptos desta religião.
Mesmo com a existência da propaganda do uso da camisinha e dos programas do estado relacionados à Aids, existem no Brasil, atualmente, dois fatos preocupantes. O primeiro fato é o apontado por uma pesquisa realizada pela British Public Broadcasting for the United Kingdom (BBC), em agosto de 2003: 61% dos brasileiros não acreditam que a Aids mata, e os brasileiros ainda têm muitas dúvidas sobre a formas de transmissão do HIV. Um em cada quatro entrevistados acredita que se pode contrair o HIV compartilhando objetos de uso pessoal, como roupas, toalhas e copos.
Pelos dados da ONU, 8,4 mil brasileiros morreram em conseqüência da Aids em 2001. No Brasil, 23% dos casos de soropositivos registrados até aquele ano eram de homossexuais e bissexuais, segundo o Ministério da Saúde. Estima-se que, dos cerca de 600 mil brasileiros infectados pelo HIV, aproximadamente 111 mil sejam homossexuais. Tantos a pesquisa da BBC como os dados do governo demonstram que a propaganda preventiva ainda é falha.
O segundo fato, que nos interessa mais de perto, é que o jovem gay, na faixa entre 18 a 25 anos, não está se protegendo. Desconheço estatística neste segmento e dados confiáveis. A informação que tenho é empírica, baseada na minha experiência como psicoterapeuta sexual junto aos meus clientes em consultório e conversas em locais freqüentados pela comunidade gay de São Paulo. É realmente preocupante. De cada 10 gays com quem eu converso, só seis, em média, estão usando preservativos regularmente. Claro que este dado é empírico e não serve como parâmetro confiável, mas é uma constatação de quem tem um contato direto e freqüente com este segmento.
E a pergunta vem à tona: por que estes jovens homossexuais não estão usando a camisinha para se protegerem? As respostas dadas por eles são bem práticas e racionais: na hora a gente esquece, tesão é algo mais forte, se tiver que pegar vai pegar mesmo, é bom pegar logo para acabar com o medo de se contaminar, agora existe o coquetel de remédios etc.
Por trás da resposta racional, para justificar o ato, existe a emoção. E quando entramos no campo da emoção, no processo psicoterapêutico o que constatamos no perfil psicológico destes jovens são os seguintes sintomas: não-aceitação da sua homossexualidade, baixa auto-estima e comportamento auto-destrutivo com o uso de drogas pesadas.
O jovem homossexual da geração pós-aids que não se protege é um bom foco para as organizações gays do Brasil. Uma excelente proposta é cobrar do governo federal uma campanha eficaz direcionada e este público alvo.
João Batista Pedrosa
pedrosa@syntony.com.br
