Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
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se assumir
cura da homossexualidade

 
 

gays afastados da família não comemoraram o dia das mães

Por João Pedrosa

O Dia das Mães é celebrado no Brasil no segundo domingo de maio. Ele foi instituído pelo decreto assinado em 1932 pelo presidente Getúlio Vargas. A mais antiga comemoração dos dias das mães vem da Grécia antiga. Na entrada da primavera era festejada em honra de Rhea, a mãe dos deuses.

Neste segundo domingo de maio, muitos gays não comemoraram o dia da figura de maior peso emocional para um ser humano, que é a mãe. Eles foram, de alguma maneira, afastados da família.

É o caso de Arhmed, que não comemora mais o Dia das Mães no seio da sua família. Ele tem 28 anos e há três fora expulso de casa pelo pai. É um homem homossexual masculinizado descendente de libanês oriundo da classe média alta de São Paulo. Até aquele fatídico dia, ninguém sabia do seu segredo. Ele era gay. Já tivera várias namoradas para disfarçar. Nos seus planos, escolheria uma garota com quem se casar depois dos 30 anos. A pressão familiar já começava a ser mais forte. Como filho mais velho, estava sendo preparado para assumir os negócios da família.

Naquela noite de domingo, seu pai invadiu sua privacidade e escutou sua conversa telefônica com o namorado na extensão da sala. Horrorizado e irado, o pai lhe agrediu fisicamente e lhe deu 24 horas para ele deixar a casa da família. Jurou que nunca mais falaria com o filho e que faria de tudo para na partilha dos bens ele ser o mais prejudicado. O pai morreu de enfarto um ano depois deste acontecimento. Os irmãos acreditam que a morte prematura do pai se deve ao desgosto provocado por Arhmed. Eles se uniram e proibiram a mãe de ter contato com ele.

Arhmed ficou traumatizado. Não podia ouvir a música do programa Fantástico, pois entrava em pânico. No momento da agressão do pai, Glória Maria anunciava as atrações do programa. Depressivo, tentou suicídio duas vezes e desenvolveu o transtorno bpolar, que é um distúrbio psiquiátrico sério que tem como pano de fundo a depressão. Depois de dois anos de tratamento psicoterápico, Arhmed se mudou para Paris. Foi morar com um primo de segundo grau que é gay. Sabendo do seu drama, o primo se solidarizou e o acolheu.

Destino parecido teve Raimundo Nonato. Fugiu de Cratéus (CE) aos 19 anos de idade. O pai o pegou transando com o tio na roça. Jurou que iria cortar o pênis do tio e matar o filho. O trauma de Raimundo foi menor. Mudou-se para São Paulo (SP) e hoje é padeiro na zona leste da cidade. Vive feliz e adora freqüentar os bares gays do centro de São Paulo. Não entra em contato com a família, mas quer ver a mãe antes dela morrer. Dia das Mães é o dia mais triste do ano para ele.

Esses casos são emblemáticos e ilustram muito bem porque a maioria dos gays, principalmente de classe média, preferem ficar dentro do armário e se casam com uma garota para constituir a família padrão da sociedade. O medo da rejeição da família, da sociedade e de ser prejudicado na partilha da herança fala mais alto.

Esperança

Por outro lado, existe dona Francisca. Ela simboliza a esperança de que pode haver compreensão e acolhimento por parte de uma mãe com os filhos homossexuais. Bióloga aposentada, seus pais judeus vieram do leste europeu para o Brasil. Tem dois filhos que são homossexuais. Lu, lésbica, mãe de um garoto fruto de uma produção independente, é casada com a Gi. E Ado, seu segundo filho caçula, é gay. Seus filhos são homossexuais ajustados emocionalmente e profissionais liberais de sucesso. Sempre vivenciaram sua orientação sexual com equilíbrio e com poucos conflitos. Desde a adolescência foram acolhidos pelos pais.

Dona Francisca é um pessoa que vive além do seu tempo. Suas idéias, lucidez e espírito prático chocam até seu filho Ado. Ela acha que ter dois filhos homossexuais é uma vantagem, pois recebe muita atenção e carinho deles. Viúva, sua velhice está sendo a melhor época da sua vida. Pensa que se os filhos fossem héteros não teria tanta atenção. Provavelmente estaria morando numa casa de repouso, como algumas colegas da época que era pesquisadora da universidade. Defende a tese de que amor de mãe deve ser incondicional. Curte muito seu netinho, que leva aos sábados para passear nos jardins do Museu do Ipiranga. Gosta de levá-lo, também, ao Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) para ver os bichos empalhados.

Dona Francisca me ligou esta semana. Pediu para que eu lesse o novo livro de José Saramago, “Ensaio Sobre a Lucidez”. “Bárbaro!”, falou-me. Gosto de conversar com ela. Fico meio hipnotizado ao ouvi-la, pois suas palavras me trazem reflexão. Certa vez, ela me garantiu que já observou gafanhotos, abelhas e moscas homossexuais nas suas pesquisas. Disse não ter dúvida de que os genes são responsáveis pela determinação da orientação sexual das pessoas e que a homossexualidade tem uma função biológica na evolução das espécies.

Perguntei, como foi o Dia das Mães? Novamente ela veio com o seu bordão: bárbaro! O filho reuniu doze amigos na sua casa para o churrasco. “Como sou vegetariana, fiquei só na salada e na sobremesa de sorvete de creme batido no liquidificador com abacate. Me diverti à beça e ganhei um montão de presentes e beijos”, disse-me. Certa vez, ela contou-me que esta sobremesa é a preferida do ilustre arquiteto de Brasília Oscar Niemeyer. E que depois que ela foi ao México, coloca abacate em tudo: pão, salada, sorvete etc. Contou-me ainda que sua irmã, que mora na Cidade do México, ficou perplexa quando ela falou que no Brasil se come abacate com açúcar.

Que a atitude de Dona Francisca, de aceitar naturalmente seus filhos homossexuais, traga luz à vida de muitas mães que ficaram cegas pelo preconceito e não percebem que seus filhos homossexuais não são um fardo, mas sim uma dádiva da vida

João Batista Pedrosa
pedrosa@syntony.com.br

João Batista Pedrosa

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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