Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Abduzido - Contatos Imediatos

Por Paco Llist

Você já quis ser abduzido e nunca mais voltar ao planeta Terra? Sabe aqueles momentos em que você se sente um verdadeiro criminoso sendo perseguido pela polícia? Ou acredita que está sendo vítima de uma conspiração internacional para eliminar todos os “recém-saídos do armário”? Pois é, foi assim que eu me senti quando dei meu primeiro beijo em um outro homem. Não posso dizer que foi frustrante, mas foi muito esquisito: um misto de excitação com estranhamento. Um filme de aventura misturado com de terror. Afinal, antes do Roberto (nome fictício), eu só tinha beijado mulheres. Acredite.

Conheci Roberto num chat numa época em que ninguém sabia como isso funcionava direito, havia apenas uma, exatamente, uma sala “gay”. Começamos a bater papo, trocamos ICQ (ainda existe isso?) e logo marcamos um encontro no shopping. “Marque num lugar movimentado”, disse um amigo. “Você nunca sabe o que pode acontecer”. E ele tinha razão. Já havia ouvido falar sobre histórias horrendas de pessoas que se conheceram no chat, algumas lendas urbanas que me davam muito medo e me faziam achar que era impossível conhecer alguém virtualmente. Mas precisava arriscar, queria saber como era beijar um outro cara e já estava mais do que na hora de dar vazão aos meus desejos.

Lembro-me de todos os detalhes desse encontro, como se ele tivesse ocorrido ontem. Eu tinha 18 anos na época e Roberto, 26. Ele, recém-formado em Medicina, eu, estudante, “bixo” da faculdade de Propaganda e Marketing. Tudo era muito novo para mim, principalmente a idéia de ter que beijar um outro homem. Quando você sai do Ensino Médio só pensa em passar no vestibular. Eu vivi um bom tempo assim, assexuado. Não tinha vontade de “ficar” com ninguém, a pressão para “virar adulto” era tão grande que minha única válvula de escape era ficar horas e horas “admirando” fotos de homens nus na internet. Quem nunca fez isso?

Ah, sim, o encontro. Marquei com o Roberto às 16h num shopping próximo à Avenida Paulista. Fui de metrô e durante o percurso fiquei imaginando como ele seria. Tinha visto uma única foto dele, mas sabe como é... Fotos são fotos. Ao chegar no shopping, pensei em desistir. Tremia dos pés à cabeça. Tinha a sensação de que todos me observavam e que sabiam que eu iria me encontrar com um outro cara. Seria, enfim, desmascarado pela sociedade. Subi as escadas-rolantes, caminhei alguns passos e cheguei ao local combinado. Roberto não estava lá. “Putz”, pensei. “Será que ele vai me dar bolo?”. Fiquei frustradíssimo. Bem que meus amigos haviam me alertado.

Já estava voltando para casa quando vejo ao longe, no final do corredor, um homem vindo em minha direção, muito parecido com o Roberto e vestido com uma camiseta cinza que lembrava a descrição que ele havia feito no chat. “Deve ser ele”, pensei. “Oi, Paco?”. “Sim”, respondi, atônito. “Oi, Roberto, tudo bem?”. Que alívio, ele não havia me enganado. Ali estava ele, em carne e osso, real, muito real. “Até que ele é bonitinho”, pensei. “Será que ele gostou de mim também?”.

Depois de um papo muito rápido, decidimos sair dali. “Vamos dar uma volta de carro?” “Ele quer me assassinar”, pensei preocupado. Tentei resistir. “Ah, por que não ficamos aqui e tomamos um sorvete?”, sugeri. Como era ingênuo... Roberto acabou me convencendo e, com um sorriso enorme no rosto, me disse que seu carro estava no estacionamento e que me levava em casa depois. Aceitei.

Saímos do shopping e demos uma volta pela região do Paraíso. Ficamos cerca de 40 minutos percorrendo as ruas do bairro, até que Roberto parou o carro numa ruela escura e deserta. Pronto, eu morreria ali, completamente indefeso. Meu assassinato seria manchete dos principais jornais no dia seguinte. De repente, Roberto fez uma pergunta que me fez ficar roxo. “Posso te dar um beijo?”. “Aqui, assim, no carro?”, respondi. Não deu tempo nem para pensar. Roberto me lascou um beijo na boca, daqueles que te deixam tonto. Não tive nem tempo de virar o rosto. Sentir aqueles lábios molhados e grossos tocarem os meus foi uma sensação absurdamente estarrecedora. Era prazeroso, mas ao mesmo tempo nojento. Um homem me dominava, no carro, numa rua escura, e eu não podia fazer nada. Aí pensei: “Por que resistir?” Deixei que a língua de Roberto penetrasse a minha boca e que tomasse conta de mim. Calor, tesão, medo, confusão. Enfim, meu primeiro beijo gay.

“Tá tudo bem?”, perguntou Roberto. “Sim, claro”. E emendei rapidamente: “Vamos embora, tá tarde, preciso ir”. Roberto entendeu o recado. Em apenas cinco minutos chegamos em casa. Não trocamos mais nenhuma palavra, apenas dei um beijo no rosto dele. Minha aventura havia chegado ao fim. Mas o perfume de Roberto permaneceu em minha roupa por um bom tempo. A saliva quente de sua boca ainda tinha um certo gosto. O tesão que havia sentido por ele naquela noite era a prova de que a experiência havia sido ótima. E eu precisava repeti-la logo.

Nunca mais falei com Roberto. Mas conheci outros Robertos depois daquele beijo no carro. Com o passar do tempo, fui assumindo a minha homossexualidade e, mais maduro, encarei o preconceito sem medo. Comecei a freqüentar clubes gays, a trocar experiências, a acreditar que o que eu fazia era certo e que era dono do meu futuro. Ainda teria alguns outros sustos, mas nada que me impedisse de ser feliz.

 

Paco Llistó
llisto@terra.com.br

Paco Llistó

 
 

Veja Também: Assista aos vídeos!

Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Apoio/Patrocínio do Armário X:

Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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