Existem palavras que trazem significações relevantes ao convívio com o ser humano. Tenho pensado muito no que consiste esse convívio. Por um lado, penso no sonho de que todos, mesmo que um tanto escondidos, podem ser elementos constituintes para a sociedade em que vivemos. Por outro lado, penso no quanto a hipocrisia nos torna seres imensamente segregados e segregadores.
O "mundo homossexual" também é cheio dessas picuinhas preconceituosas. Muitas vezes, vamos armados para receber da sociedade toda a carga de preconceito existente em um olhar.
Ao andar na Avenida Paulista, centro financeiro do país, eu notava que o almoço dos executivos tinha um brilho colorido (literalmente). Era aquela curiosidade mórbida, o cutucar discretamente no braço do amigo ou o transformar o olhar em desejo e desprezo em poucos segundos, ao perceberem a minha mão entrelaçada com a de minha namorada.
Será que o amor tem que ser eternamente um fetiche? Penso que não. Essa nossa sociedade pós-moderna e falsamente moralista busca, em muito, um modelo que cada vez mais é segregador, mas, a meu ver, o amor não é vendido em forminhas no supermercado, e, portanto, sua diversidade de formas torna-se seu maior sentido na vida.
Quantas escolhas são nossas? Quantas escolhem por nós? Até que ponto estamos carregados desses modelos? Por diversas vezes, acreditamos que as decisões são nossas quando, na verdade, são apenas modelos propostos pelo sistema ou respostas aos apelos daqueles que a gente ama.
Você já reviu quais as suas atuações sobre o mundo e os que o rodeiam? Quantas vezes você atribui ao outro aquilo que, na verdade, é resultado de suas ações? Trazendo esses argumentos ao contexto social em que vivemos, chego à conclusão de que muitos dos preconceitos são reforçados pela nossa atuação no mundo, nossa existência um tanto medíocre, e, pior ainda, medíocre com nós mesmos...
Quantas vezes você já teve vontade de dizer que ama, mas achou cedo demais? Ou foi educadíssimo diante de uma mesa com aquele "Obrigado, estou satisfeito!"? Ou deu aquela engasgada quando aquele amigo de faculdade lhe perguntou o nome do seu namorado, quando, na verdade, era de uma mulher o amor ao qual você se referia, e vice-versa?
Temos de nos desarmar! Dizer não (cada um no seu limite), mas sem esconder o que é lindo. União dos pensamentos, sentimentos, dos corpos. Como diz Roberto Freire, sem tesão, não há solução", então não é por falta de tesão pela vida que vamos deixar nossos amores morrerem na clausura! Dê a mão, abrace e dê vexames de amor por aí. É disso que o mundo está precisando!
Jamila Casimiro
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