Não existe argumento racional contra a adoção de crianças por casais gays
Quem lê o meu blog está sabendo que há quase dois meses eu e meu namorado JP adotamos uma cadelinha SRD (sem raça definida), linda e carinhosa chamada Luna. Nós a chamamos de “filha” e é assim que ela é tratada.
Nós fomos a uma instituição, nos afeiçoamos a uma cadela abandonada, que na mesma hora também se afeiçoou conosco e a levamos para a minha casa. Lá, ela recebe a educação adequada, come da melhor ração do mercado em horários determinados, é levada a um ótimo veterinário e o principal: muito carinho.
O carinho que nós dois – e a minha mãe também – damos para ela é o de quem a reconhece como um ser vivo que precisa de todo o amor e que nos uniu mais ainda em torno desse amor. Hoje a minha casa tem até um ambiente mais saudável com a alegria e o amor que envolvem a Luna.
E por isso pensei: quantas crianças são privadas de tudo isso simplesmente porque a nossa sociedade é preconceituosa demais para aceitar a adoção por casais gays?
Chega em um orfanato e pergunta para as crianças de lá se elas preferem continuar lá ou ganhar de um casal gay uma educação de qualidade, saúde de qualidade, roupas, brinquedos e principalmente o carinho, o amor e a sensação de fazer parte de uma família.
E família que eu digo aqui é no sentido do respeito e da infra-estrutura psicológica e emocional. Não são os laços de sangue que fazem as pessoas pertencerem a uma mesma família. Porque sangue e genes são detalhes. E ninguém sabe disso tão bem quanto um gay assumido.
Eu sei que dizer que um preconceito é sem fundamentos é redundante. Mas para esse não restam fundamentos racionais. E, por favor, dogma religioso não é argumento!
É, mas infelizmente a bancada religiosa e muito preconceituosa cresceu muito nas últimas eleições. E é por isso que os projetos tão importantes – não só para os gays, mas para a sociedade de modo geral no sentido de sentir uma evolução nos seus pilares – como a Parceria Civil e o direito à adoção ainda estão presos.
E o que podemos fazer? Querer. Mas querer de verdade! Eu quero ser papai. Eu voto certo, eu vou na Parada, eu pressiono os deputados e apoio associações e ONGs. Eu quero casar com o meu namorado. Eu ando de mãos dadas com ele, beijo ele em público e arranjo encrenca se alguém disser que eu não posso.
Orgulho e igualdade são coisas que não se pede, são coisas que se faz
Gui Tronolone
guitronolone@yahoo.com.br