Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

SÓ FALTOU O ORGULHO

Por Gui Tronolone em 23/06/03

Na contramão da participação popular, a Associação do Orgulho GLBT de São Paulo escolheu nos esconder

A festa foi linda. A sétima edição da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo foi um sucesso e reuniu mais de 800 mil pessoas na Avenida Paulista. Tanta gente assim, só em São Francisco (Estados Unidos) e Toronto (Canadá). A terceira maior cidade do mundo já tem a terceira maior Parada GLBT do mundo.

Essa foi a terceira a que compareci, fui com namorado, fitinha com as cores do arco-íris, pulamos e cantamos muito. E sempre o que mais me deixa feliz são os simpatizantes. Ver aquelas pessoas todas, com família, crianças e idosos sorrindo e batendo palmas para o desfile da nossa afirmação é um raio de esperança que rompe as escuras nuvens que, historicamente, pairam sobre as nossas cabeças.

Mas faltou o orgulho. Mais uma vez fizemos um carnaval fora de época. Não quero ser um chato, adoro a festa e acho ótimo que tenhamos escolhido a alegria para garantir a nossa visibilidade. Mas não posso ficar calado frente à despolitização da Parada.

Não adianta de nada que a Associação da Parada de São Paulo passe o ano todo aparecendo às custas de um ativismo neurótico, como demonstrou no episódio da propaganda da Volkswagen, e sufocando outros grupos militantes, mantendo-os suprimidos sob suas asas, como aconteceu no Fórum HSH de São Paulo. Isso não nos traz conquista alguma.

O que nos traria maior força seria transformar – ao menos – o mês de junho em uma temporada de eventos de mobilização política da comunidade GLBT. Não se esconder, como aconteceu esse ano. Qual foi o poder de divulgação dos eventos que ocorreram durante todo esse mês que a Associação demonstrou? Zero. E não estou falando em campanhas publicitárias milionárias, mas de coisas simples, de uma mísera assessoria de imprensa decente.

No ano passado, reunimos 600 mil pessoas na Avenida Paulista e, quatro meses depois, não fomos capazes de dar nem mesmo 30 mil votos para o candidato oficial do movimento, Beto de Jesus, nas eleições para Deputado Federal.

A massa gay é politicamente alienada e isso é fato conhecido. O problema é que as lideranças do movimento de São Paulo estão se mostrando tão ou mais alienadas que a massa. E fazem isso ao simplesmente desviarem da sua responsabilidade de conscientizar e mobilizar politicamente essa massa. E o lugar é a Parada.

Vi ontem uma multidão de homossexuais aplaudindo e acenando para a prefeita Marta Suplicy. Não sei o que pode justificar uma ação dessas a não ser a total alienação e a ignorância sobre a falta de comprometimento dessa senhora que, há três anos, só posa ao lado do movimento GLBT na hora da festa, para se promover. Em nenhum momento a prefeita correspondeu às expectativas que os gays depositaram sobre ela na defesa da plenitude dos nossos direitos.

Eu gostava da Parada quando era realizada no começo do mês. Sempre tinha a esperança de que um dia a Associação politizaria a festa e, com isso, daria grandeza de movimento social aos eventos que seguiriam pelo mês.

Porém, nada disso nunca aconteceu. Ao contrário, mudaram a data da Parada para o domingo do feriado de Corpus-Christi. Na minha opinião, uma escolha infeliz que denota mais vergonha que orgulho. Uma marcha de visibilidade e identidade ser realizada em um dia em que a cidade está mais vazia do que o normal é algo sem propósito.

Espero que a Associação da Parada de São Paulo tenha, nos próximos 366 dias (já que 2004 é um ano bissexto) tenha uma atuação mais condizente com a proposta de um movimento que visa conquistas. Menos ego, menos “querer aparecer” e mais fazer acontecer é o que se espera dessa que é a maior organização do movimento GLBT em São Paulo.

Quem tem a capacidade de organizar um evento que caminha para 1 milhão de participantes não pode se omitir da maneira que fez nesse ano. Teremos eleições para prefeito e vereadores em 2004 e cabe à Associação uma revisão de sua postura, com uma autocrítica mais severa sobre os erros cometidos em 2002 e, principalmente, nesse ano.

Que desde o dia de hoje todas as organizações do Movimento GLBT de todo o Brasil tenham consciência do trabalho necessário para todos os dias desse próximo ano no sentido de mobilizar e politizar a massa gay. Espero que a Parada de 2004 seja realizada com a cidade cheia e, principalmente, que não seja apenas uma festa e sim uma marcha que exija a cidadania plena e o respeito aos Direitos Humanos dos homossexuais.

Porque, hoje, o Brasil lidera o ranking dos países que mais cometem crimes de ódio contra gays, lésbicas e transgêneros. E, na minha opinião, não temos nada a comemorar.


Gui Tronolone
guitronolone@yahoo.com.br


Gui Tronolone

 
 

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Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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