Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
saindo do armário
sair do armário
fora do armário
se assumir
cura da homossexualidade

 
 

A arte de olhar para o lado

Por Gui Tronolone em 17/10/02

Às vezes basta um olhar, um toque, para salvar o dia e às vezes a vida de alguém

Já repararam o quanto a gente passa grande parte do dia – e da vida – cuidando de nós mesmos? Por quantas pessoas passamos na rua sem nem mesmo olhar nos olhos, quanto menos dar um “bom dia” ou um sorriso?

Na última sexta-feira, dia 11, fez cinco anos a morte do meu melhor amigo. Há cinco anos atrás eu recebi a notícia que mudou completamente a minha vida. Caí em depressão, usei drogas e até mesmo tentativas de suicídio eu vivi. Foram meses muito difíceis para mim. E eu passei por tudo isso sozinho.

Eu superei. Mas não tenho a ilusão de ser maioria. Quantas pessoas conseguem dar a volta por cima desse tipo de dificuldades sem ajuda, sem alguém para dar forças, para secar as lágrimas? Com certeza é uma minoria. A depressão é uma patologia séria e deve ser tratada com seriedade. E os amigos são, definitivamente, parte importante do tratamento.

Depois de passar por tudo isso, eu acabei assumindo um papel de “terapeuta” dos meus amigos. Todos sempre acabavam desabafando comigo, pedindo os meus conselhos e eu sempre acabava ouvindo. Se tem uma verdade universal é: ouvir é uma arte e não é fácil.

No ano passado, quando eu entrei definitivamente para o circuito GLBTS de São Paulo, principalmente na internet, eu fui aos poucos assumindo esse papel novamente. Todos que mandavam e-mails para as listas contando problemas sérios, fazendo desabafos difíceis, passaram a receber respostas minhas, abrindo as portas da minha caixa de entrada para “ouvir”.

E eu tive experiências muito boas. Um dos primeiros foi o R., no E-jovem. Um amigo dele mandou um e-mail para a lista contando alguns problemas dele e pedindo para que alguém mandasse um e-mail para ele, que alguém tentasse dar um ombro a ele.

Foi o que eu fiz. Depois de dias seguidos de trocas de e-mails – longuíssimos, por sinal -, o R. parou de falar em suicídio, de tristeza e foi a um encontro do grupo no Parque do Ibirapuera. Foi uma vitória. Ainda assim, ele ficou tímido, isolado, não conversou com ninguém. Mas eu continuei conversando com ele – e não fui só eu, claro – e hoje o R. é praticamente uma figurinha carimbada em encontros do pessoal da net. Deu até uns beijos no gay Day do Hopi Hari.

Houveram alguns outros. Não só amigos virtuais. Tem uma amiga na minha rua cuja vida eu já salvei cinco vezes. Duas vezes ela entrou em coma alcoólico e três vezes ela ficou prestes a cometer suicídio. Em uma delas, eu estava em uma festa com amigos, ela ligou e eu saí correndo para conversar com ela e evitar o pior.

Nos últimos meses, o G. entrou em uma lista de e-mails para desabafar e, desde então, trocamos várias mensagens diárias e, apesar de algumas recaídas, hoje ele vive muito melhor com a sua sexualidade e já não fala tanto em suicídio. Na semana passada ele deixou mensagens no meu e-mail e no meu blog dizendo que eu era seu anjo e que, apesar de morar em Florianópolis, ele queria muito poder me conhecer pessoalmente porque eu significo muito para ele.

Não preciso dizer o quanto isso me emocionou. Eu costumo brincar que eu sou um “CVV ambulante”, por já ter evitado onze suicídios. Mas na verdade eu tenho muito orgulho disso. Eu não escrevi o artigo dessa semana para me vangloriar e dizer que eu sou um ser humano maravilhoso. Nada disso. O que eu quero é fazer um alerta.

Não é necessário muito para fazer alguém se sentir bem. Basta um olhar, basta uma palavra de conforto. Às vezes basta ouvir o que essa pessoa tem para dizer. E isso muda a vida dela. A sua também.

Você não é o único que precisa de carinho, que precisa que alguém mostre que se importa com você. As pessoas à sua volta precisam disso também e você pode estar negligenciando a importância que você poderia ter na vida delas.

Há cinco anos atrás eu perdi um amigo e ele faz falta. Eu tenho muitos amigos, maravilhosos, tenho um namorado que é amigo, amante, marido, irmão e muito mais. Mas ainda assim aquele amigo faz falta. Porque cada pessoa é única e tem uma importância única na vida das outras pessoas.

Então pare com o “não é problema meu” e o “eu não posso fazer nada”. Você pode estar fazendo muita falta na vida de alguém. E é na memória dos que gostam de nós, que atingimos a eternidade.

Você já ajudou alguém hoje?

Gui Tronolone
guitronolone@yahoo.com.br



Gui Tronolone

 
 

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Saindo do Armário na TV Gazeta 2010 Saindo do Armário no Fantástico 2010
youtube.com/watch?v=p9cuo_S6MGQ youtube.com/watch?v=AqnvUlF0_cM

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Ótimo livro que fala sobre o Homossexualismo & Homossexualidade .


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