Um grande número de pais enfrenta uma dificuldade em lidar com os ideais de vida dos filhos. É normal os pais idealizarem uma vida para os filhos, um caminho a seguir, uma forma de ser e pensar. E é comum que muitos se vejam como formadores desta forma de ser e pensar dos filhos. O que não é inteiramente errado. Os pais exercem, sem dúvida, um papel importante nesta formação. Porém isto não se da exatamente da forma como eles idealizam. E esta idealização, por parte dos pais, traz aquela famosa pergunta perante qualquer coisa que fuja a esta idealização: Aonde foi que eu errei? Para um pai ou mãe homossexual a pergunta pode ser um pouco mais complexa, pois pode existir um sentimento de culpa associado a esta idealização. Será que, por falar abertamente da minha sexualidade, posso não ser um bom exemplo pro desenvolvimento do meu filho?
Bom, uma coisa a se saber é que durante a infância a criança internaliza valores que são passados por seus cuidadores. Ela se reconhece como pessoa e aprende a fazer parte da família e da cultura em que está inserida. Na adolescência muitos destes valores são postos a prova e é nesta fase em que os pais sentem mais dificuldade, pois seu filho está desenvolvendo um senso crítico próprio e poderá, após esta fase, se aproximar ou se afastar daquilo que lhe foi passado. É uma fase natural pela qual todos nós temos que passar para poder crescer de forma saudável.
Então, quando seria a hora ideal para um pai ou mãe discutir sobre sua sexualidade com um filho? A resposta mais correta seria: quando ele estiver pronto. A criança deve sempre ser respeitada, já que mesmo parecendo disposta a receber novas idéias, ela pode ainda não estar madura para qualquer tipo de conversa mais profunda sobre o tema. O que eu sempre digo aos pais que trazem este tipo de dúvida é que, se a criança é ensinada desde pequena a respeitar e aceitar diferenças, se ela é estimulada a brincar com diferentes tipos de pessoas, a ler histórias que trazem esta moral do respeito ao outro, e se os cuidadores conversam com ela e mostram em seus próprios atos que o novo e o diferente deve ser respeitado e aceito, sem preconceitos; se ela é educada de tal forma na primeira infância, com certeza terá muita facilidade em aceitar e respeitar a orientação sexual do pai ou da mãe.
Porém, mesmo tratando com naturalidade do assunto, irão surgir dúvidas por parte do filho, que merecerão respostas sinceras e conversas abertas, a ponto de não deixar o assunto na zona do "proibido" e, portanto, do errado. A criança pequena trará dúvidas mais generalizadas, e a elas cabe saber apenas que existe esta diferença, assim como muitos outros tipos de diferenças que existem pelo mundo. Nesta fase da infância, tudo ainda é muito idealizado, principalmente quando se trata do pai ou da mãe. A criança tende a ter seus cuidadores como perfeitos, livres de erros, como modelos a serem seguidos. Portanto os pais não devem demonstrar vergonha ou culpa ao tratar do assunto, ou a criança tratará dele da mesma forma.
Na adolescência irão surgir dúvidas mais diretas, e cabe aos pais deixar disponível todo tipo de informação que for pedida a eles. O adolescente tende a erotizar os componentes de sua vida social e, estando sempre sujeito aos olhos e julgamentos do outro, é muito importante que os pais tragam o assunto de forma a permitir que o filho tire suas próprias idéias sobre o mesmo, pois isto possibilita que ele sinta um maior senso de confiança e individualidade em relação a si mesmo, e se permita aceitar o assunto com mais facilidade.
Portanto, você que é pai ou mãe, lembre-se que você exerce um papel muito importante no desenvolvimento de seu filho. E lembre-se que este papel não diz respeito a o que você faz na sua vida, mas sim como você faz. Converse com seu filho de forma aberta e sincera, respeitando seu nível de interesse e maturidade. Esteja sempre disposto a responder suas dúvidas. E não sinta culpa ou vergonha de ser quem você é, pois para ele o que importa é seu amor, confiança, carinho e dedicação.
Fernanda Primo
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