São Paulo, 01 de abril de 2003, e não se trata de uma brincadeira de 1º de Abril, na madrugada e na avenida mais conhecida do Brasil, Avenida Paulista, o grande point gay foi regado de sangue, medo e violência à um pequeno adolescente de 16 anos, homossexual e também iniciando uma carreia de Drag Queem. Foi assassinato com 3 tiros a queima roupa, no rosto. Seu irmão informa à um amigo em Curitiba sobre o trágico acidente, e eu recebo essa triste notícia, que infelizmente não foi veiculada na mídia por falta de informação concretas, porém o contato com a família não foi bem sucedido.
É triste, doloroso e revoltante, mas infelizmente essa é a realidade vivenciada por algumas pessoas que vivem em grandes e pequenas cidades, mega potencias ou mesmo interior, o limite do respeito e da discriminação foi totalmente banido das pessoas e depois de tanta luta em prol da liberdade de expressão e por uma segurança mais bem aparelhada e também com vontade de trabalhar, cai por terra, quando um adolescente resolve “se montar”, ou melhor, vestir-se com roupas femininas , já que sua identidade sexual assim o condiz. Sim, cai por terra.
Depois de colocarmos 700 mil pessoas na mesma Avenida Paulista, em Junho de 2002, na Parada do Orgulho gay, temos que ser noticiados de tamanha fatalidade, discriminação e falta de respeito com o próximo. Vemos também que não existem mais compaixão, cada pessoa quer banir da Terra o não aprovado por ela, mas esquecem que para isso tiraram uma vida, de um jovem que estava apenas começando a viver e traçar seus planos e projetos, tiraram também uma parte de uma mãe e de um pai, baniram literalmente um ser humano, que não fez mal algum à eles, apenas estava explorando sua sexualidade num todo.
Esta é a realidade de São Paulo, de Nova York, dos interiores do Brasil e do mundo, onde pessoas são cruelmente mortas e as autoridades não fazem absolutamente nada, cadê que nessa hora havia policiamento no local, isso porque é a avenida principal de São Paulo, imagine você um homossexual seja ele travesti, drag queem ou não o que for, reside nas periferias? Com certeza também acontecem crimes bárbaros e não são noticiados.
Vendo isso tenho cada vez mais motivação para lutar por essa classe de pessoas tão discriminadas, ainda, e uma vez que lutamos por alguém estamos garantindo também o nosso bem estar e de centenas ou milhares de pessoas. Temos também de lutar não só para a liberdade de expressão, mas também pela segurança. Crimes como este são até comuns de acontecer, tanto que já existe um livro de registro de crimes à homossexuais, editado na Bahia, pelo GGB, com atualização anual, onde é possível tem uma idéia melhor da realidade brasileira em relação aos crimes envolvendo gays, lésbicas, travestis, transexuais e muitos outros.
Mas não adianta ficarmos apenas escrevendo ou mesmo colocar 700 mil pessoas na rua em apenas um dia do ano, temos que lutar pelos nossos direitos, SEMPRE e exercendo o nosso papel de cidadão e cobrando do Governo o que é dever deles, SEGURANÇA. Se continuarmos de braços cruzados cada vez mais crimes com este acontecerão e nunca serão levados à serio como deve, pois para as estatísticas, porque para o Estado essas pessoas são apenas números de estatísticas sobre violência, não se trata apenas de um assassinado, não é mais um, é um assassinato regado de preconceito.
Erik Galdino
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