“Escravos da Beleza”, este foi o tema de mais uma reunião semanal que ocorre no CTA Santo Amaro, em São Paulo, às 19:00 de todas as segundas-feiras, reunindo homossexuais da região. Representando um importante espaço de convivência, visa a integração e melhoria da auto-estima e cidadania de uma parcela da população que permanece invisível.
Em julho de 2001, o Grupo CORSA (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor) elaborou um projeto de intervenção em DST/Aids prevendo um grupo de convivência para os homossexuais dos bairros mais afastados da cidade. Nascia assim o “Rompendo o Isolamento: prevenção e cidadania na Zona Sul de São Paulo”, iniciativa que participou da concorrência pública estadual tendo sido aprovado no final de 2001. Já em outubro, começou a sensibilização dos funcionários daquela unidade de testagem do HIV para receber o grupo homossexual.
As atividades de campo iniciaram-se em fevereiro de 2002 e no dia 04 de março, foi feita a primeira reunião aberta à comunidade. Apenas um gay compareceu, mas isso não desanimou a equipe de 5 integrantes do CORSA e as duas psicólogas do CTA.. Algumas semanas depois, através de folhetos, pequenos cartazes e sobretudo o “boca-a-boca”, os encontros passaram a atrair mais de 30 jovens a cada semana.
Trazendo profissionais de diversas áreas (medicina, psicologia, direito, artes, entre outros) ministrar palestras, o grupo cresceu e se fortaleceu, criando uma identidade própria com o nome de E.L.E.S (Encontro, Liberdade, Expressão e Sexo Seguro).
Em busca de inovações contínuas, alguns dos rapazes – liderados por uma lésbica que venceu a resistência – idealizaram uma ajuda a entidades filantrópicas da região. “Amanhã sem fome” é o lema desta iniciativa que desde já “apadrinhou” 10 famílias carentes do S.A.E. (Serviço de de Atendimento de Especialidades), unidade de saúde que atende pessoas em tratamento de DST e Aids.
Com o intuito de dar visibilidade ao grupo E.L.E.S. na 7ª Parada do Orgulho gay de São Paulo, estão sendo confeccionadas camisetas com o logo recém criado. Além disso, o grupo organiza – em parceria com os funcionários do CTA e do CORSA – uma concorrida Festa Junina, com direito a comidas e música típicas, a rapazes que se montarão como “moças caipiras”, a uma quadrilha genuinamente GLS com predominância de casais do mesmo sexo, é claro!
O grupo de convivência E.L.E.S. demonstra com estas ações que é possível resgatar a cidadania dos homossexuais ocupando um espaço público, sem cair na armadilha do gueto, mas ao contrário abrindo-se à diversidade.
Erik Galdino
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