É incrível a atração entre duas mulheres, fisicamente opostas.
Muitas vezes, seguidas com o rótulo Lady/ Fanchona, Mulher Macho/ Mulherzinha, Sapatão/ Sandalinha.
Será que existe uma resposta para tal questão? Esse assunto é muito particular, não segue regra. Conheço muitas garotas extremamente femininas que se dão bem com garotas também femininas, e vice-versa, mas é clara a atração entre as homossexuais femininas e as mais masculinizadas. Como se, nas relações, precisassem mesmo da presença "femina" ou "masculina", do "ativo" e do "passivo".
A discussão é extensa. Neste momento, a pergunta que não quer me calar é: que fascínio é esse que as masculinas exercem sobre as femininas?
No meu caso, por exemplo, sempre tive namoradas muito femininas, gosto da delicadeza e do arrebatamento que elas me provocam. Tanto que já fui questionada por uma amiga.
Logo em seguida, me veio a "clássica das indagações": Se for para ficar com uma menina masculinizada, por que, então, não ficar com um homem?
Nada a ver. Não é bem por ai. Tem mulheres que só se atraem por outras que sejam masculinas, mas tem repugnância só de pensar em homens.
Uma possível resposta ao questionamento seria o fato de que, desde pequenas, somos educadas para sermos frágeis, delicadas e ter ao nosso lado um homem para nos proteger. E até instintivamente acabamos procurando mulheres com essas características. Tanto que, se observarmos, muitas mulheres masculinizadas gostam de assumir esse papel de “protetoras”.
Entretanto, ninguém é imutável. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, já dizia o poeta.
Acho que todas as mulheres deviam ter seus dias de “lady” e “fanchona”. As vezes acordo e me sinto tão homem, em outras, quero ser uma diva. Meu guarda-roupa que o diga. Vai de calcinhas, vestidinhos de verão, até a mais masculina das calças e... CUECA! Sim, elas são muito confortáveis. Por que não? Até meu irmão me pede cuecas emprestadas.
Você acorda de manhã. De repente dá um lapso e você já sabe com que cara quer sair do armário neste dia. O outros, pouco importa. Afinal, as pessoas não entendem essa "dualidade". Muitas não entendem é nada.
Para os desavisados, é bom salientar que mulheres masculinas não querem ser necessariamente homens. Eu mesmo digo que "é maravilhoso ser mulher!"
Na cama, sentimos o prazer de forma singular. Sem encanações do tipo: “preciso gozar”, mas num leque de possibilidades que o sexo - e a criatividade – nos abre.
Ao mesmo tempo, podemos experimentar “ser homens”, de vez em quando. Relações de dominação, conceitos, chaves, energias positivas e negativas, eros e tanatos, homem e mulher, ativo e passivo, tudo o que a complexidade humana nos permite é sempre possível.
Um corpo que entende exatamente onde está o prazer do outro corpo. Que anseia os mesmos desejos, que pede os mesmos carinhos. E que almeija ser feliz ao toque “adivinho” e divino de outra mulher!
No fundo, não importa o que use, calcinha ou cueca.
Importa ser quem você é. Do seu jeito e da sua maneira.
Ellen Lopez