É muito comum entre uma conversa de amigos ouvir a frase: "Eu não dou sorte no amor". Parece que hoje em dia cada vez mais ouço esta frase. Algumas vezes até ditas por mim mesmo, o que me fez refletir sobre esse tema.
A impressão que dá é que amar é sofrer. Amar é viver constantemente numa tormenta. Quando descobrimos o nosso desejo sexual na adolescência, ela vem comumente acompanhada de uma culpa. Pois, afinal, o "comum" é meninos gostarem de meninas. No nosso caso é diferente, descobrimos que apesar de sermos meninos desejamos também meninos - ou meninas que desejam meninas.
Nas horas de intervalo, nos sentimos como peixes fora d'água no meio daquela roda de amigos de classe. O papo sempre gira em torno das meninas. E aí vêm as histórias das ficadas, a primeira transa, a descoberta do prazer, enfim. E nesse momento é comum entrarmos na onda e comentarmos sobre o assunto pra não nos sentirmos excluídos.
Mas, no fundo, a verdade de que somos diferentes pode ser uma dor insuportável. Olhar as garotas e forjar as mesmas reações de nossos amigos, simular estar lisonjeado com uma cantada de uma garota, e ser forçado pelas circunstâncias a beijá-la pra não "queimar o filme" com os amigos nos traz uma profunda frustração...
Acredito que não sou o único a ter passado por esta situação. Lógico que amadurecemos e reavaliamos nossa auto-estima e com o passar do tempo nos aceitamos gays, fazemos amigos. E aí parece que tá tudo resolvido. Não, nada disso. Trazemos dentro de nós a idéia de que amar é sofrer. Afinal a descoberta do amor e da paixão veio acompanhada de culpa, temor e sofrimento porque o nosso objeto de desejo é alguém do mesmo sexo.
Toda vez que entramos em um romance, essas impressões que estão no nosso sub-consciente de que amar é sofrer fazem com que pouco em nada nos empenhemos pra que essa relação dure e seja sadia. Pra quê, afinal, se o sofrimento é certo?, nos perguntamos. E esquecemos que amar é fazer feliz alguém que te faz feliz. É alegria, prazer, gozo, júbilo. Amar é sentir-se importante. Alguém só é alguém quando é alguém para alguém.
Johnny Marote
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