Homossexualidade
Homossexualismo & Homossexualidade
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Homossexualidade

Referências

homossexualidade
homossexualismo
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se assumir
cura da homossexualidade

 
 

Bíblia e homossexualidade

Por Romeo Cavedo

1. Antigo Testamento

Em vista do fato de que a palavra sodomia originou-se do relato genesíaco de Sodoma, podemos iniciar a nossa reflexão por este texto, já considerando, porém, que todo exame de textos antigos testamentais serve somente para satisfazer legítimas curiosidades histórico-culturais ou, no máximo, para mostrar como certas convicções podem ser forçadas e sedimentadas e não certamente para fundamentar certezas morais válidas por si mesmas.

a) A violência dos habitantes de Sodoma

O relato é conhecido. Dois dos três homens-anjos que junto de Deus haviam aparecido a Abraão no Vale Mambre, são conduzidos por ele a Sodoma. Chegando lá os dois homens aceitam o insistente convite de Lot para hospedarem-se em sua casa. Porém, não haviam ainda se recolhido, quando todos os homens de Sodoma, jovens e velhos, ou seja todo o povo até o último homem - diz o texto - pediram a Lot para fazer com que os recém-chegados saíssem para fora da casa para que pudessem conhecer-lhes. O envolvimento de todos os habitantes da cidade é evidentemente um exagero inverossímil, que tem como objetivo justificar a iminente destruição de toda a cidade, demonstrando que ali não havia sequer um pequeno número de justos a que se referiu Abraão no seu diálogo com o Senhor.

Uma vez que em hebraico o verbo que exprime o pedido dos sodomitas significa conhecer e somente poucas vezes significa eufemisticamente "conhecer no sentido bíblico", alguém sugeriu que os sodomitas queriam verificar a identidade dos estrangeiros para certificarem-se de que não corriam perigo hospedando-lhes na cidade. Já que o próprio Lot era também um estrangeiro, podia-se suspeitar que ele favorecia a emigração clandestina e não desejada. A hipótese é improvável, mesmo porque não se vê como um objetivo de controle de fronteiras pudesse ser compensado por Lot através do oferecimento das duas filhas virgens.

Não há dúvidas que o autor pensa em homossexualidade, porém é verdade que coloca em primeiro plano a violência do cerco e a determinação em provocar os estrangeiros.Todos os comentários dão ênfase ao fato de que para o autor a culpa mais grave é a violação da hospitalidade, que na cultura do tempo, em razão da insegurança total a que era exposto o viajante, era considerada uma obrigação moral. Por isto, a indiferença de Lot em relação às suas filhas parece aceitável, sendo considerada uma solução extrema para evitar um mal mais grave. Todavia, é suficiente esta escolha, que com muita dificuldade poderia ser considerada uma expressão do princípio do duplo afeto, o qual certamente não era do conhecimento do autor, para demonstrar que uma visão das coisas na qual o respeito ao hóspede é tido como mais importante que o respeito pelas próprias filhas não pode ter qualquer importância moral permanente. Os sodomitas são execráveis, mas certamente não é bom o exemplo que Lot deu de como reagir em face à violência e o medo. Lot, inclusive, em todos os episódios em que se envolve, é sempre caracterizado como um indeciso, incapaz de perceber a gravidade das situações, tanto que daqui a pouco os dois anjos deverão obrigá-lo a fugir a tempo, vencendo as suas excitações que não o levavam a decidir, e depois permitir-lhe de parar em Zoar, porque não tem força para alcançar a montanha. Lá serão as filhas a tomar a audaciosa iniciativa de deixarem-se engravidar dele para que obtenha uma descendência. A família de Lot certamente não é um exemplo de moralidade.

A patética descrição do fraco Lot, o anti-herói por excelência, é bem feita e em oposição ressalta a divina potência dos dois hóspedes. O relato tem como objetivo exatamente a exaltação dos dois misteriosos personagens e, nos demais aspectos, utiliza de motivos estereotipados e generalizações ingênuas e inverossímeis com o objetivo único de ilustrar o conceito de que Deus teve todas as razões para destruir Sodoma, que não merecia misericórdia. A sua insensibilidade moral havia chegado a um ponto extremo.

Graças a este relato a violência para fins homossexuais, não a homossexualidade em si mesma, torna-se o estereótipo que sintetiza o máximo da degradação moral. O contexto de violência e desprezo pelo hóspede estrangeiro com o qual é conotada no texto a intenção dos sodomitas coloca certamente em segundo plano a homossexualidade. O que os sodomitas querem é maltratar e humilhar estrangeiros: o fato disto também acontecer através de violência sexual pode agravar o mal, mas não constitui a essência da maldade deles. A prova está no fato de que, nas inúmeras passagens do Antigo Testamento em que Sodoma é citada (pense nos escritos polêmicos de Isaias contra Jerusalém) as culpas que são denunciadas como próprias daquela cidade são crimes contra os pobres, a injustiça, o respeito dos direitos no âmbito da comunidade, mas nunca são evocadas desordens de tipo homossexual.

Na Bíblia há muitas denúncias contra um gravidade das violências sem razão como, por exemplo, as deportações de populações indefesas, o estripamento de mulheres grávidas, a matança de recém-nascidos, a profanação de cadáveres e, para alguns destes exemplo pode-se ver Am 1, 6-9-13; 2,1. No nosso relato a homossexualidade é vista como um dos meios para o exercício da violência: foi utilizada por Sodoma provavelmente porque outros desvios ou violências não eram verossímeis na atmosfera geralmente pacífica da idade patriarcal. Ela é um argumento que serve bem quando se quer descrever uma culpa própria do indivíduo e não dos reis ou dos estados. O fato de que a maioria das pessoas sinta uma repugnância instintiva por este assunto, o faz especialmente útil para todos os textos que têm como objetivo causar um efeito especial ou causar reações emotivas. Mas um genial achado a nível literário e expressivo não significa a existência de componentes morais.

A homossexualidade é um mal entre os tantos que o Antigo Testamento conhece: teve o azar de servir bem para o enredo de uma narração que alcançou sucesso e celebridade, mas isto não é suficiente para torná-la um desvio pior que os demais. Deve-se também esclarecer que o nosso episódio condena a violência homossexual, e não o amor homossexual, que é completamente diferente e que poderá ser reprovado por outras razões e não em base ao episódio de Sodoma.

b) Os "filhos de Belial"

capitolo 19 do livro dos juízes há um caso parecido àquele de Sodoma, no qual os protagonistas são os habitantes benjaminitas de Belém, que o texto chama de "filhos de Belial", por considerá-los como os piores idólatras. Aqui é ainda mais evidente que o que querem é maltratar os hóspedes. De fato, no início pedem para conhecer o homem que havia chegado à cidade, em seguida rejeitam a filha virgem do hospedeiro, mas no final violentam a concubina do estrangeiro até fazê-la morrer devido às violências sofridas. Não exatamente homossexuais, eles são endemoninhados bissexuais para os quais tudo é permitido, desde que seja feito contra um forasteiro a ser massacrado. Aqui também é evidente o exageração e a esquematização do relato.

c) A legislação

Na legislação a proibição da homossexualidade se acha em Lv 18,22 e 20,13 juntamente a outras proibições relativas à sexualidade. Em 20,13 é definida to'eba, que significa coisa abominável, torpeza e coisas parecidas. É um termo com o qual são classificadas muitíssimas ações tidas como inadmissíveis no povo que pertence a Deus e deve ser santo. Dt 22,5 proíbe o travestismo, provavelmente por causa de práticas sexuais de tipo idolátrico.

d) A amizade de Davi e Jônatas

Pode até ser admissível exaltar a amizade de Davi e Jônatas por seu caráter de certa forma erótico, o que é diferente da prática homossexual. Porém, filologicamente e exegeticamente é difícil afirmar que frases como "A alma de Jônatas se ligou à alma de Davi e ele passou a amá-lo como a si mesmo" (1Sam 18,1,; cf. 18,3; 19,1; 20,41) ou então "a tua amizade me era mais preciosa que o amor das mulheres" (2Sam 1,26) sejam algo mais que simples exagerações. Além disso, demonstrar que no Antigo Testamento não era julgado imoral um amor homossexual entre dois jovens não significa absolutamente nada para a construção de um discurso moral. O Antigo Testamento é cheio de proibições que no Novo não são observadas, assim como tolera e exalta costumes, como a poligamia e o concubinato, que o Novo não aprova. Determina a punição com a pena de morte para uma série de transgressões, mas ninguém hoje faz menção àqueles textos para legitimar a pena de morte.

e) Concepção de casal no Genesis 1-2

Não faltam aqueles que, para afirmar o caráter de comportamento anti-natural da homossexualidade, baseiam-se no modelo de casal presente nos texto sobre a criação do Gênesis 1 e 2, esquecendo-se que narrações desse tipo, solenes e universais, não têm com objetivo promover juízos sobre situações humanas minoritárias e específicas, mas somente indicar o sentido do viver humano nos seus aspectos fundamentais. Assim como a Bíblia não leva em conta a verdadeira natureza física do universo, ela também ignora a complexidade do fenômeno humano, e não está apta a dizer o que na verdade seja a tendência homossexual. Ela a julga um desvio simplesmente porque descreve as coisas do modo como aparentam a um observador que não tem meios de ir além das aparências. Analogamente, para dar um exemplo entre muitos possíveis, vários textos bíblicos consideram que a doença seja um castigo de Deus que decorre dos pecados da pessoa ou de seus antepassados e outros textos consideram que é um dever moral exterminar os cananeus idólatras. À luz do Novo Testamento estas deduções não têm nenhum sentido. A cultura dos autores do Antigo Testamento não possui instrumentos nem para compreender a verdadeira natureza dos fenômenos, nem para medir corretamente, devido a ser algo relativo, o que seja a maior ou menor gravidade do comportamento humano.

2. Novo Testamento

No Novo Testamento as coisas mudam, porque em Cristo nos é revelado de modo definitivo e completo o que Deus quer que o homem seja na sua vida, pela presença dele. Mas também o Novo Testamento, mesmo tendo um pleno conhecimento do plano de Deus, não possui ainda os instrumentos científicos para uma análise completa da realidade humana.

Como conseqüência, o moralista continua necessitando da filosofia e da ciência para descobrir a verdadeira natureza dos fenômenos humanos. O caso mais exemplar desta inadequação é a incapacidade da cultura do Novo Testamento de descobrir a intrínseca inadmissibilidade da escravidão. Em sentido contrário, está a proibição de qualquer tipo de juramento, contida no evangelho de Mateus, que a Igreja ainda não considera necessária ser observada. As razões destas divergências entre as orientações bíblicas e as eclesiais decorre de diferentes modos de compreender a verdadeira natureza das respectivas situações humanas. Retornando ao nosso caso, já que a homossexualidade é uma situação cuja verdadeira definição, pelo menos em parte, ainda não compreendemos, e assim não podemos afirmar com certeza que se trate de desvio, doença ou simples característica de uma minoria de pessoas, como a dos albinos, ou dos abstêmios ou canhotos, não podemos simplesmente repetir sem nenhum sentido crítico, as condenações que verbalmente baseiam-se em textos bíblicos, os quais ignoram a complexidade da homossexualidade.

a) Os textos de São Paulo

Com efeito, citar a homossexualidade junto a uma séria de vícios, mesmo antes que ela dê origem a comportamentos de fato contrários à vontade de Deus, como é feito em 1Cor 6,9-10 e em 1Tm 1,10, não é suficiente para que se possa taxá-la de deformidade ou tendência pecaminosa. É evidente que, se é válido o princípio que determina ser pecado qualquer atividade sexual fora do casamento - coisa que o Antigo Testamento não considerava - têm-se, como conseqüência, que todo ato, desejo e pensamento homossexual não é um pecado maior que os equivalentes na esfera heterossexual. Mas nada autoriza, somente em base aos textos citados, a ver na tendência homossexual alguma coisa de per si perversa. Pode ser que os autores pensassem desse modo, mas isso se dava em razão de suas avaliações culturais sem fundamento racional e baseadas apenas em preconceitos e lugares comuns.

b) O Problema de Romanos 1,26,-,27

A única passagem do Novo Testamento que poderia sustentar a idéia de que a homossexualidade por si mesma é um mal é o conteúdo de Rm 1,26-27. Aqui a questão se coloca seriamente, porque Paulo, após ter afirmado que o pecado original, anterior a qualquer outro, é a desonra do verdadeiro Deus, que a razão humana poderia conhecer em base à perfeição do mundo criado, afirma que Deus, em conseqüência deste desvio idolátrico, abandonou os pagãos a "paixões aviltantes". As mulheres pagãs, diz Paulo, mudaram as relações naturais por relações contra a natureza e os homens, deixando a relação natural com a mulher, arderam de desejos uns pelos outros, praticando torpezas homens com homens e recebendo em si mesmos a punição pelos seus desvios idolátricos.

A idéia de Paulo é genial: ele considera que a idolatria, que resulta da deturpação da idéia de Deus, tem como conseqüência a presença de comportamentos homossexuais, femininos e masculinos, no modo de vida pagão. Tendo a imagem de Deus sido degradada, ele permitiu que a imagem do homem fosse desmantelada, de modo que a culpa da idolatria recaiu sobre o homem.

É muito provável que antes de mais nada Paulo tenha em mente as relações anti-naturais que eram usuais em alguns cultos idólatras da fecundidade. Mesmo escrevendo aos Romanos, provavelmente ele é influenciado pela crítica bíblica contra a antiga prostituição sacra cananéia, pois a sua idéia de ligar idolatria e perversão sexual origina certamente de uma diagnose implícita na tradição bíblica. Porém é evidente que, se o culto valoriza a homossexualidade sacralizando-a, ela torna-se lícita também na vida comum e, como conseqüência, Paulo pode também incluir a homossexualidade profana na sua condenação. Dessa forma, têm razão aqueles que consideram que Paulo considere sobretudo esta, mesmo porque expressões "arderam de desejos uns pelos outros" dificilmente podem fazer alusão ao fascínio de rituais obscenos dentro de um culto.

O verdadeiro problema é saber se esta sua diagnose histórico-salvífica é apenas um genial argumento retórico para sustentar uma tese mais genial, isto é, a de que todo pecado deriva da falsificação da realidade de Deus, ou se é em si mesma objeto de seu respeitável ensinamento.

Mesmo se for verdadeira, como é provável, a segunda hipótese, deve-se estar atento para que não se reduza a condenação moral um raciocínio que está a um outro nível. Paulo, como todos os judeus, tem a convicção de que a homossexualidade é algo absurdo e inexplicável e vê nela o sinal da miséria no qual Deus permitiu que o homem se precipitasse, para poder compreender, do abismo, a necessidade de crer no evangelho do perdão gratuito. Mais do que uma culpa, ele a considera uma punição e uma desgraça, é pecado, no sentido de potência do mal e destruidora do homem, podômetro de morte, alienação de Deus. Criar nos homossexuais, especificamente, sentimentos de culpa, utilizando os versículos paulinos, significa distorcer-lhes o significado, pois para Paulo, aquela desgraçada anomalia presente no mundo pagão é sinal da miséria na qual todos caímos, inclusive os heterossexuais.

Da mesma forma, escrevendo aos coríntios que distorcem o sentido da eucaristia, Paulo lembra que entre eles muitos estão doentes e alguns estão mortos, não para condenar somente estes doentes e mortos mas para censurar todos, pois receberam de maneira indigna o pão da vida. De fato, aqui ele assinala esta situação humana anti-natural como sinal da ruína de todos. Naturalmente nós achamos que não seja correto considerar-se uma situação que envolve uma minoria como sintoma de um mal comum a todos, mas Paulo raciocina segundo os esquemas e preconceitos típicos da cultura judaica, que como vimos têm sua origem na narração sobre Sodoma. Ao invés de citar os cegos, aleijados ou leprosos, ele cita, como prova de que a idolatria arruína o homem, os homossexuais, porque, de um lado, isto lhe é sugerido pela conexão com a prostituição sacra e, de outro, permite-lhe jogar com o efeito que causa a comparação entre natureza de Deus deformada e natureza do homem igualmente desviada.

c) A noção de natureza humana em Romanos 5

É suficiente esta genialidade retórica para fazer da homossexualidade, em nome da Escritura, alguma coisa que, ao contrário de todas as outras condições humanas, é por si mesma desordenada, mesmo antes que possa ser usada para fazer o mal? Ao escritor parece que não, mas cada um é livre para julgar como melhor lhe pareça. Porém nenhuma das respostas pode pretender ser a única correta.

Não é inútil comparar a precipitada segurança com a qual algumas vezes deduz-se das passagens de São Paulo a tese de que a homossexualidade é um mal porque é contra a natureza não somente com as sutilezas que se aplicam à sua noção de natureza quando ele fala do conhecimento da Lei por parte da consciência dos pagãos, mas também com um caso bem mais sério que se acha no capítulo 5 de Romanos. Aqui, sem dúvida, Paulo supõe que todos os homens derivam fisicamente do único Adão, e no entanto, para conciliar o seu ensinamento com a hipótese científica do prolifelitismo (mais de uma linhagem humana independentes entre si) se faz de tudo para dizer e demonstrar que a sua argumentação teológica é sustentável, mesmo sabendo-se que realmente Adão não é o único progenitor que ele acreditava que fosse.

Caso a ciência demonstre que a homossexualidade não deva ser considerada como desvio mas como fato cuja verdadeira natureza passa a ser definida cientificamente, não haverá razão em manter a visão que a considera como algo mal. As argumentações bíblicas para demonstrar, em base aos relatos da criação, que as mulheres devem usar véus quando rezam nas assembléias foram desmanteladas com rigor exegético digno da melhor causa. Não se vê por que a idéia de indicar na homossexualidade a primeira das perversas causas da idolatria deva permanecer inatacável.

À luz de tudo isto deve-se concluir que a interpretação do texto de São Paulo fica aberta e discutível. A pesquisa sobre o julgamento moral da homossexualidade deve seguir por outros caminhos.

3. Avaliações conclusivas

Assim como fomos severos ao excluir a possibilidade de deduzir dos textos examinados uma condenação a priori da homossexualidade, também somos contrários à utilização indevida de textos que poderiam justificá-la, como já fizemos a propósito da amizade de Davi e Jônatas.

Com efeito, perguntar se a relação entre Jesus e o discípulo que amava Jesus tenha, no quarto evangelho, conotações eróticas é ainda mais estúpido que fazê-lo em relação a Davi e Jônatas. Desconsiderando o fato que os verbos usados são os relativos ao amor divino e cristão e não os empregados para as relações humanas, é o gênero literário do evangelho que descarta a priori a pergunta. Além disso, o fato que também a relação do Ressuscitado com Madalena tenha dado origem a besteiras de tipo contrário, é suficiente para demonstrar a falta de embasamento de ambos os percursos. O evangelho de João não é somente um livro sério, mas é um livro teológico em sentido restrito: fala de Deus sem se importar com outros aspectos.

Concluindo, a única coisa concreta nos parece esta: se e enquanto é verdadeiro que qualquer atividade ligada ao sexo é ilícita fora do casamento, o são também as práticas homossexuais tanto quanto as heterossexuais. A Bíblia, corretamente interpretada, não autoriza a ver na homossexualidade um mal a mais.


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*Artigo publicado na revista italiana "CredereOggi" 116 - 2/2000 páginas 37-45 e traduzido por Theo para o site www.estoufelizassim.hpg.com.br

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