Meu nome é Viviane Teobaldo, tenho 26 anos, sou olindense - cidade patrimonio historico da humanidade - mas moro em Recife, tendo passado meus primeiros 14 anos no Rio de Janeiro (com gente maravilhosa, que gostaria de encontrar mais vezes).
Sou jornalista, pos-graduada em marketing e atriz amadora. Trabalho como analista de marketing numa empresa de distribuição de energia há 4 meses, vinda de uma empresa de geração de energia - mas, asvezes, me falta energia!
Bom, falei sobre minha breve estada no Rio porque foi justamente lá, no inicio da minha adolescência, que ouvi falar de homossexualidade.
Não sei se pelo meu jeito de ser e de pensar, se pela influência dos meus amigos ou pelo acesso a informações, mas nunca achei a homossexualidade um problema, algo para ser discutido, analisado.
Certa vez, uma das minhas amigas da escola me chamou para conversar e dizer que não poderia mais ser minha amiga porque era lésbica. O problema não era que ela gostava de mim, mas sim que ela achava que meus pais e demais amigos não aceitariam nossa amizade.
Fiquei assustada, não com a revelação, mas com a possibilidade de acabar uma amizade por causa de uma orientação sexual. Como se estivéssemos no século passado! Pedi que ela confiasse em mim e nela mesma, não tivesse medo de assumir suas próprias vontades e até mesmo o que tivesse que enfrentar.
Existem bons motivos para se terminar uma amizade, como traição, falta de consideração, de lealdade, e o que ela me apresentou não se enquadrava em nenhum deles. Pelo contrario. Ela estava disposta a aceitar o fim da nossa amizade, entregando os pontos a uma sociedade preconceituosa.
Lemos muito sobre o assunto na época, tinhamos 11 ou 12 anos. Perdemos contato, mas espero que ela esteja bem e feliz, com quem quer que seja. Ela não foi uma amiga diferente por isso. Falávamos sobre nossas paqueras do mesmo jeito, apenas mudando o sexo! Hehehe! Nunca presenciei nenhum tratamento ostensivo contra ela na escola. Ela era muito bonita, feminina, não era o estereotipo da "sapatão, mulher macho" que muitos ainda tem em mente.
Sinto uma profunda pena daqueles que cometem qualquer tipo de discriminação, principalmente contra negros. Sou fã de Nelson Mandela e admiro sua força em libertar a Africa do Sul do apartheid. Passou 25 anos preso e saiu para ser presidente de uma republica livre. Alguns podem dizer que a cidade ficou mais feia depois do fim da segregação racial (tenho tios que moram la há mais de 30 anos e não concordaram com as mudanças), mas o que vale é que a
liberdade chegou e, espero, para ficar.
Não acho correto tentar-se impor costumes, limites num pais tão diversificado como o Brasil. Acho que a sociedade já possui problemas demais para se envolver em mais uma guerra. A felicidade deve ser uma busca constante do ser humano, e algo que deva ser incentivado, seja entre heterossexuais ou homossexuais. Muitos são felizes do jeito que são, mas a sociedade não aceita isso. A sociedade paga nossas contas? Não. Então, que busquemos a felicidade!
Sinto que as famiias tem obtido mais informações sobre a homossexualidade (estão assistindo a novela das oito?) e isso pode facilitar cada vez mais a relação entre pais e filhos. A grande maioria de meus amigos homens jamais aceitaria ter um filho/filha homossexual, mas o amor incondicional de pai/mãe acaba mudando esse perfil, e sempre digo isso a eles. Para os pais, o que importa é a felicidade e a saúde dos filhos.
Para os filhos, sejam hetero ou homossexuais, o que importa é serem felizes, terem saúde e sucesso na vida.
Mais nada.
Viviane Teobaldo
tviviane@hotmail.com